Apito Dourado

Presidente do Maritimo afirma em tribunal que "era voz corrente" na Madeira que o Nacional aliciava árbitros com prostitutas


 

Lusa/AO online   Nacional   29 de Set de 2008, 18:32

O presidente do Marítimo, Carlos Pereira, afirmou hoje no Tribunal de Gondomar que "era voz corrente” na Madeira que o Nacional teria aliciado alguns árbitros com prostitutas.
Carlos Pereira depôs no Tribunal de Gondomar como testemunha num processo do “Apito Dourado” sobre o alegado favorecimento do seu clube no jogo com o Nacional, relativo à 31ª jornada da Superliga 2003/2004, que terminou com a vitória da equipa dos Barreiros por 2-0.

    "Em função do que se diz ser voz corrente, não tinha receio que o Marítimo fosse prejudicado nesse jogo com o Nacional?" - perguntou a juíza Manuela Sousa a Carlos Pereira.

    “Se tivesse presenciado, receava, mas era um rumor, limitei-me a mandar tudo para a Liga", respondeu o dirigente.

    Já no final da audiência, Carlos Pereira declarou aos jornalistas que a Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional abriu um inquérito sobre o assunto e enviou as suas conclusões para o Ministério Público (MP).

    “Resultado disso, não sei”, assegurou o presidente do Marítimo.

    Neste processo, são arguidos o árbitro Martins dos Santos - pronunciado por corrupção passiva desportiva - e o antigo presidente do Conselho de Arbitragem da FPF António Henriques - acusado de corrupção activa desportiva.

    No seu depoimento o presidente do Marítimo considerou que o jogo que deu origem a este processo foi “normalíssimo”

    “Foi como tantos outros a que tenho assistido”, assegurou.

    Afirmou também que não se recordava de ter manifestado alguma insatisfação com a nomeação de Martins dos Santos para o encontro e garantiu que não estava apreensivo quanto ao resultado do dérbi.

    “Se perdesse, não vinha nenhum mal ao mundo. O Marítimo não descia”, acrescentou.

    O clube dos Barreiros terminou o campeonato em sexto lugar, garantindo o acesso à Taça UEFA mas, admitiu Carlos Pereira, o sonho era “chegar à Liga dos Campeões”.

    Ainda assim - acrescentou - a presença do clube maritimista na principal prova europeia de clubes “só seria rentável se passasse à fase de grupos”,

    Isso “é muito difícil para equipas como a nossa”, admitiu o dirigente desportivo insular, que chegou a ser advertido pela juíza Manuela Sousa pela forma, alegadamente agreste, como se respondeu a uma pergunta do procurador Paulo Sérgio.

    Durante a sessão da tarde, o tribunal completou a audição de peritos iniciada pela manhã, com o testemunho de Jorge Coroado.

    O antigo internacional considerou “eticamente censurável” que um árbitro ligue a um dirigente após um jogo (alusão às escutas do processo).

    Quanto aos erros imputados à equipa de arbitragem do Marítimo-Nacional, disse que a responsabilidade do árbitro principal “está aligeirada” quando não vê e, nesse caso, aceita como boa a indicação de um auxiliar.

    “Se o árbitro principal tem dúvidas ou se não viu, deve seguir as indicações do árbitro-assistente”, concordou Luís Guilherme, que em 2003/2004 era presidente da Comissão de Arbitragem da Liga e que também foi chamado hoje a depor.

    Os árbitros-assistentes de Martins dos Santos negaram qualquer pressão do chefe de equipa para favorecimento da equipa dos Barreiros.

    “Está totalmente fora de questão. Categoricamente”, afirmou João Santos, um dos árbitros auxiliares.

    A acusação refere que Martins dos Santos teria como contrapartida, pelo alegado benefício do Marítimo, a promoção do seu filho, Daniel Santos, igualmente árbitro, da terceira à segunda categoria.

    Porém, a pronúncia refere apenas que Martins dos Santos terá obtido uma “vantagem não concretamente apurada”.

    O julgamento deste caso chegou a estar marcado para o Tribunal do Funchal, que se declarou incompetente para o efeito por causa territorial.

    As audiências prosseguem a 15 Outubro, a partir das 09:00.

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