Douro Internacional

PR vai viajar pelo "Grand Canyon" da Península Ibérica

PR vai viajar pelo "Grand Canyon" da Península Ibérica

 

Lusa/AO online   Nacional   12 de Set de 2008, 11:18

Chamam-lhe o "Grand Canyon" da Península Ibérica, mas poucos sabem onde fica, ou que o merecedor de tão grandiosa comparação é o desconhecido Douro Internacional.
O presidente da República, Cavaco Silva, vai mostrá-lo ao país, no domingo, percorrendo os 120 quilómetros por onde se estende o desfiladeiro do rio partilhado por portugueses e espanhóis, ladeado de assombrosas escarpas e santuário de espécies raras.

    Embora de dimensões mais reduzidas que o desfiladeiro americano com estatuto de "maravilha do mundo", o estreito que a Natureza rasgou ao longo da fronteira, no Nordeste Transmontano, tem para os especialistas semelhanças dignas de comparação.

    "É dos mais extraordinários acidentes geológicos de Portugal", garantiu à Lusa Pedro Castro Henriques, do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB).

    De Portugal e da Península Ibérica, segundo vários estudiosos que asseguram tratar-se de um "sítio raro na Europa".

    Os espanhóis, que ao longo da história tiveram no Douro a fronteira natural com Portugal, partilham agora com os portugueses este património natural considerado "extraordinário, mas ainda desconhecido".

    "Quando se fala de rio Douro, associa-se imediatamente ao Douro Vinhateiro", observou Pedro Castro Rodrigues.

    Mas a zona vinhateira faz parte do troço português do Douro, que atravessa o norte do país, de Barca D' Alva ao Porto.

    Entre este percurso e o troço exclusivamente espanhol, fica o Douro Internacional, que corre ao longo de 120 quilómetros ao longo da fronteira, desde Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo (Barca D' Alva).

    É das mais recentes áreas protegidas portuguesas e espanholas, tendo recebido a Classificação de Parque Natural do Douro Internacional na margem portuguesa, em Maio de 1998, e de Parque Natural Arribes del Duero, em 2002, na margem espanhola.

    A classificação destas áreas como protegidas aliviou os receios da ameaça nuclear espanhola, na fronteira, que ainda no ano da criação do parque português, tinha motivado uma manifestação de protesto ibérica em Aldeadavila.

    "Em determinados locais, uma pessoa até se sente esmagada pela presença da pedra e pela configuração do próprio vale", contou o técnico do ICNB, referindo-se às escarpas graníticas do assombroso desfiladeiro por onde corre o rio acalmado por cinco barragens portuguesas e espanholas.

    Ao longo do Douro Internacional é possível avistar uma diversidade de aves como o milhafre-real, o abutre do Egipto, a águia-real, cegonha preta, falcão peregrino, entre outras.

    Mais espécies em perigo como o morcego-de-feradura-mediterrânico, o lobo, gato bravo ou o cágado-de-carapaça-estriada e a víbora-cornuda encontraram refúgio naquele que é considerado "um dos ecossistemas mais completos e ricos da Europa".

    Neste ecossistema sempre houve espaço para o Homem, com uma agricultura diversificada, em que predominam o olival, vinha, amendoal, laranjeira.

    Nas margens do Douro Internacional são também criadas raças que se tornaram emblemas do Nordeste Transmontano como a bovina Mirandesa, origem da famosa posta de carne, ou o burro mirandês, a única raça asinina portuguesa protegida pela União Europeia.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.