Polícia chinesa associa "ataque terrorista" em Tiananmen a "extremistas religiosos"

Polícia chinesa associa "ataque terrorista" em Tiananmen a "extremistas religiosos"

 

Lusa/AO online   Internacional   30 de Out de 2013, 11:00

A polícia chinesa associou o "ataque terrorista" de segunda-feira na Praça Tiananmen, que matou cinco pessoas e feriu mais de trinta, a "extremistas religiosos" do Xinjiang, região de maioria muçulmana do noroeste da China.

Dentro da viatura utilizada naquele "premeditado ataque terrorista" e nas residências dos cinco suspeitos entretanto detidos a polícia encontrou facas, barras de ferro e bandeiras com slogans "extremistas religiosos", disse a Televisão Central da China (CCTV).

O ataque ocorreu na segunda-feira cerca do meio-dia (hora local) quando um jipe abalroou a multidão que se encontrava no topo norte da Praça Tiananmen e a seguir se incendiou, causando a morte dos três passageiros que seguiam no veículo e de dois turistas.

"Usmen Hasan, a mãe (Kuwanhan Reyim) e a mulher (Gulkiz Gini) conduziram um jipe com matrícula do Xinjiang contra a multidão, matando duas pessoas e ferindo outras quarenta", disse um porta-voz do Departamento de Segurança Publica de Pequim.

Os três ocupantes do jipe "morreram depois de terem incendiado o veículo com gasolina, indicou o porta-voz.

Pelos nomes, os ocupantes do veículo - assim como os cinco suspeitos detidos (Husanjan Wuxur, Gulnar Tuhtiniyaz, Yusup Umarniyaz, Bujanat Abdukadir e Yusup Ahmat) - parecem ser uigures, a maior etnia do Xinjiang, de religião muçulmana e cultura turcófona, segundo a mesma fonte.

Situada no centro de Pequim, a Praça Tiananmen, com cerca de 40 hectares, é um dos espaços públicos politicamente mais sensíveis e vigiados da capital chinesa. Trata-se também de uma das principais atrações turísticas do país e foi o palco das manifestações pró-democracia da primavera de 1989, esmagadas pelo exército.

"O ataque terrorista de segunda-feira foi perpetrado no coração de Pequim", disse um repórter da CCTV.

Há três semanas, a imprensa chinesa anunciou que 139 pessoas foram detidas no Xinjiang por advogarem a "jihad" (guerra sagrada) através da Internet.

Em junho passado, um outro "ataque terrorista" atribuído a "extremistas religiosos" causou 24 mortos. Foi o mais violento incidente registado no Xinjiang desde os tumultos do verão de 2009 em Urumqi, a capital da região, que mataram 197 pessoas.

O Xinjiang, um vasto território de maioria islâmica, rico em petróleo e recursos minerais, confina com o Afeganistão, Paquistão e três ex-repúblicas muçulmanas da Ásia Central.

Os uigures constituem 45% dos cerca de 25 milhões de habitantes do Xinjiang.

Algumas organizações que advogam a "jihad" no Xinjiang estão ligadas à Al-Qaida e os seus membros receberam treino militar no vizinho Afeganistão, afirmam as autoridades chinesas.


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