Protesto continuam em Rangum

Polícia birmanesa carrega sobre manifestantes

Polícia birmanesa carrega sobre manifestantes

 

Lusa / AO online   Internacional   26 de Set de 2007, 12:54

Polícias birmaneses armados com bastões carregaram hoje sobre manifestantes em Rangum, batendo em estudantes e em monges budistas que se concentravam perto do pagode Shwedagon, em preparação para novas manifestações, anunciaram testemunhas.

Segundo testemunhas, em numerosos pontos de Rangum e Mandalay, segunda maior cidade, no norte do país, soldados montaram barricadas e pedem a documentação aos transeuntes.

Em Mandalay, soldados estão destacados em torno do pagode de Mahamuni Paya, um dos locais de onde os monges saíram em protesto.

Em Rangum, os manifestantes, calculados em cerca de 1.000, na sua maioria jovens, foram dispersados com gás lacrimogéneo e disparos para o ar e fugiram enquanto soldados cercavam o sector.

Segundo testemunhas, três manifestações decorriam às 12:00 (06:30 em Lisboa) na maior cidade da Birmânia.

Cerca de 500 bonzos encontravam-se no interior do pagode de Shwedagon, de onde têm partido diariamente, desde 18 de Setembro, as manifestações contra a Junta Militar que detém o poder.

Outros monges estavam a tentar entrar no templo na altura em que se iniciaram os incidentes, às 12:00 locais.

A capital da Birmânia, país cujo nome foi mudado para Myanmar pela Junta Militar, e a cidade de Mandalay, foram colocadas terça-feira em regime de recolher obrigatório e o acesso ao centro foi restringido, numa situação semelhante à declaração do estado de emergência, para reprimir as manifestações a favor da democracia.

As medidas foram anunciadas terça-feira pelas autoridades para tentar pôr termo às manifestações contra a Junta Militar.

Pelo menos 100 pessoas foram detidas, entre as quais bonzos, segundo testemunhas.

Um comunicado da União Europeia, enviado hoje antes de ser conhecida a carga policial contra a manifestação em Rangum, anunciava que a UE hoje está pronta a reforçar as sanções contra as autoridades birmanesas no caso de haver uma repressão violenta no país.

A UE "reforçará o actual regime de sanções, se (as autoridade birmanesas) recorrerem à violência contra os manifestantes pacíficos", salienta o comunicado, que apela novamente à calma da Junta no poder na Birmânia e a todos os que detêm alguma influência sobre a mesma para garantir que «reagirá de forma não violenta".

A presidência portuguesa da UE anunciou terça-feira, numa nota divulgada no seu site, que decidiu inscrever na agenda da próxima reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, a 15 de Outubro no Luxemburgo, a questão do eventual reforço das sanções europeias contra o regime militar da Birmânia.

No final de uma reunião de consulta entre os embaixadores dos 27, terça-feira em Bruxelas, Lisboa decidiu reunir o «grupo de trabalho Ásia» para «examinar as diferentes opções», disse o porta-voz da presidência portuguesa à Agência Lusa.

Os 27 estão a ser pressionados pelos Estados Unidos e também por um dos seus membros, o Reino Unido, antiga potência colonizadora da Birmânia (Myanmar), para endurecer a sua posição em relação à Junta Militar.

A UE não se apressa em aprovar rapidamente novas medidas porque já tem em vigor, ao contrário dos norte-americanos, um pacote de sanções, revisto em Abril último, contra o regime.

Essas sanções incluem a proibição de emissão de vistos para dignitários ligadas ao actual regime político, um embargo de venda de armas e proibição das empresas europeias de financiarem as empresas públicas da Birmânia.


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