Mencionando, nomeadamente, "morteiros de fogo-de-artifício nas escolas secundárias" e "invasões", o primeiro-ministro francês considerou que isso representa, inclusivamente, "uma ofensa aos próprios estudantes" que desejaram manifestar a sua "angústia" e "insatisfação", ou "fazer reivindicações ao governo ou aos conselhos regionais".
"A intensidade da violência aumentou ainda mais nos últimos dias", afirmou Lecornu numa conferência de imprensa, realizada na sequência de várias semanas de mobilização e bloqueios de instituições de ensino.
Lecornu admitiu ter o receio de que as manifestações de sábado contra o custo de vida desencadeiem novos atos de violência, embora tenha reconhecido que o país atravessa “um momento de cansaço”.
“Tendo em conta as informações que nos chegaram durante a manhã [de hoje], isto já não se assemelha a um movimento estudantil do ensino secundário. Temos um movimento de violência urbana, cuja intensidade [...] voltou a aumentar nos últimos dias”, afirmou o primeiro-ministro francês.
O chefe do Governo denunciou “um apelo à violência absolutamente aterrador” em alguns locais e insistiu nas críticas ao lançamento de “morteiros de fogo de artifício [sic] nos liceus”.
O movimento de bloqueio dos estabelecimentos de ensino secundário, iniciado em setembro, reivindica mais recursos para a educação.
O primeiro-ministro francês respondeu também afirmativamente às preocupações quanto à possibilidade de atos de violência durante a jornada de protestos prevista para sábado contra o custo de vida, convocada por várias organizações, entre as quais os coletes amarelos, protagonistas de um amplo movimento social em França em 2018 e 2019.
“Tememos que haja violência? Sim. É evidente que já não conseguimos realizar uma manifestação neste país” sem que “movimentos violentos da extrema-esquerda, nomeadamente, e por vezes da extrema-direita – neste caso, nos últimos dias, da extrema-esquerda – se infiltrem [...[ nos cortejos”, afirmou.
O chefe do Governo gaulês garantiu sentir “profundamente” que “o país atravessa um momento de cansaço”, uma vez que França vive “numa espécie de crise permanente, com guerras, incertezas quanto ao poder de compra e inflação”.
“E alguns movimentos políticos querem aproveitar este cansaço para o transformar em combustível eleitoral”, afirmou, numa alusão à França Insubmissa (esquerda radical), que o executivo acusa de “instrumentalizar” o movimento dos estudantes do ensino secundário.
“Mas, depois, haverá também uma grande mobilização. Será a 18 de abril”, concluiu, referindo-se à data da primeira volta das eleições presidenciais francesas.
