Pedida demissão de Rui Machete por alegada mentira no caso BPN

Pedida demissão de Rui Machete por alegada mentira no caso BPN

 

Lusa/AO Online   Nacional   21 de Set de 2013, 14:31

O Bloco de Esquerda (BE) pediu hoje a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Rui Machete, por este ter alegadamente mentido ao Parlamento em 2008 numa resposta escrita à comissão de inquérito ao caso BPN.

Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, o coordenador do BE, João Semedo, apresentou uma carta de 2008 do agora ministro, em que este revelava que nunca tinha sido acionista da SLN, ex-dona do BPN, o que, disse o bloquista, se sabe hoje que "é uma redonda mentira". "A mentira é sempre condenável. Quem mente não pode governar. E por isso nós dizemos que Rui Machete deve demitir-se ou ser demitido, em nome da democracia, da transparência, da decência, do combate à podridão [de] que Rui Machete na sua tomada de posse se queixava de estar a ser vítima", acusou João Semedo. Na carta enviada por Rui Machete a 05 de novembro de 2008 ao então líder parlamentar do BE, Luís Fazenda, e com conhecimento das restantes bancadas parlamentares, o agora governante escreve: "Não sou nem nunca fui gestor/administrador do BPN ou membro do seu Conselho Fiscal ou sequer acionista ou depositante da mesma instituição bancária". O BE diz que a "prova documental e irrefutável" hoje apresentada deve resultar em consequências do foro político e a que o Parlamento não pode ficar indiferente. "A Procuradoria-Geral da República (OGR) é quem lida com estes casos. O Parlamento deve apresentar queixa à PGR e se o Parlamento não o fizer, nós não deixaremos que o Parlamento deixe de o fazer", declarou. Semedo acrescentou ainda que a missiva enviada por Machete protegeu o agora MNE de responder na comissão de inquérito a questões referentes ao seu papel na estrutura do banco. "Esta mentira protegeu Rui Machete das perguntas da comissão de inquérito, impediu que deputados o questionassem sobre esse assunto [posse de ações]. Não houve uma só pergunta, tão importante na audição de outros cidadãos, sobre a sua condição de acionista da SLN. Como todos sabemos (…) essa foi uma pergunta sistematicamente feita na maior parte das audições", lembrou o coordenador do Bloco, que representou então o partido na referida comissão. "Não se trata de um lapso, distração ou esquecimento de Rui Machete", acredita João Semedo, que se escusa a "fazer juízos" sobre as intenções de Machete em não ter dito que "durante sete anos foi acionista" da SLN. "Nós não fazemos juízos sobre isso, mas tiramos as consequências", advertiu, contudo. Ao Expresso, que noticiou na capa da sua edição de hoje a carta revelada pelo BE, Rui Machete disse desvalorizar a acusação dos bloquistas.


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