Partido no Governo venceu quatro das oito eleições realizadas em Portugal


 

AO Online/ Lusa   Internacional   27 de Mai de 2019, 12:30

O partido no Governo venceu quatro das oito eleições europeias já realizadas em Portugal, depois de contabilizada a vitória do PS no sufrágio de domingo.

Os socialistas, que alcançaram 32,3% nas legislativas de 2015 e formaram Governo com apoio do BE, PCP e PEV, venceram as europeias de domingo com 33,4% dos votos, deixando o PSD a mais de 10 pontos percentuais (21,94%).

O PSD venceu as eleições europeias de 1987 e 1989, quando o partido governava o país em maioria absoluta, liderado por Cavaco Silva, embora com resultados bem mais modestos para o Parlamento Europeu do que para as legislativas.

Também em 1999 o PS conseguiu vencer as europeias quando os socialistas lideravam o executivo, no primeiro Governo de António Guterres, e aí com resultados muito semelhantes em junho para a Europa (43%) e em outubro nas eleições nacionais, quando o PS de António Guterres ficou à beira da maioria absoluta com 44% e 115 deputados.

Para lá destas ocasiões, as restantes quatro europeias (1994, 2004, 2009 e 2014) foram sempre ganhas pelo partido na oposição, mas nem sempre tal se traduziu depois na mudança de executivo.

A primeira vitória do PS em eleições europeias, em 1994, reta final da segunda maioria de Cavaco Silva, pode ser interpretada como um sinal do desejo de mudança por parte do eleitorado, após dez anos de PSD no poder.

Mas se para o Parlamento Europeu socialistas e sociais-democratas têm quase um empate (34,87% contra 34,39%), um ano depois nas legislativas a diferença é bem mais expressiva, com o PS de Guterres a conseguir 43,7% dos votos contra os 34,1% do PSD.

Entre umas eleições e outras, Cavaco Silva deixou a liderança do PSD, partido que passou a ser presidido por Fernando Nogueira.

Se em 1994 os sociais-democratas podem ter recebido um ‘cartão amarelo’ de aviso para as legislativas do ano seguinte, em 2004 pode quase falar-se de um ‘cartão vermelho’ direto.

Primeiro-ministro desde 2002, Durão Barroso demite-se do cargo apenas 15 dias depois da derrota nas europeias de junho de 2004 (os socialistas têm a maior vitória de sempre com 46,4% dos votos) para se candidatar a presidente da Comissão Europeia, cargo que viria a ocupar durante 10 anos.

Santana Lopes substitui Barroso como líder do PSD e como primeiro-ministro, sem eleições, uma decisão do Presidente da República de então, Jorge Sampaio, que levaria Ferro Rodrigues a demitir-se de secretário-geral do PS.

Uns meses mais tarde, Sampaio convocaria mesmo legislativas antecipadas e o PS, já liderado por José Sócrates, obtém em fevereiro de 2005 a sua primeira – e até agora única – maioria absoluta da história.

Em 2009, apesar de o PSD ter derrotado o PS em junho nas europeias, Sócrates volta a vencer as legislativas em outubro contra o PSD de Manuela Ferreira Leite, mas perde a maioria absoluta e o país voltaria a ter legislativas antecipadas em 2011, além de um pedido de ajuda externa.

Em 2014, o cenário inverte-se: PSD e CDS-PP governavam em coligação e, também juntos, perdem as europeias. No entanto, a curta distância para os socialistas (que conseguem 31,5% dos votos contra 27,7%) acaba por provocar uma crise interna no partido vencedor, culminando na substituição de António José Seguro por António Costa à frente do PS.

Pouco mais de um ano depois, nas legislativas de outubro de 2015, a vitória do PS nas europeias não se repete, e a coligação PSD/CDS-PP ganha as eleições com 36,8% contra 32,3% dos socialistas.

A vitória seria, contudo, insuficiente para sociais-democratas e democratas-cristãos formarem Governo e António Costa viria a ser nomeado primeiro-ministro após conseguir negociar acordos com BE, PCP e Verdes, numa solução inédita na política portuguesa.



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