Papa não é ingénuo em relação a convite para visitar a Coreia do Norte, diz Cardeal António Marto

Papa não é ingénuo em relação a convite para visitar a Coreia do Norte, diz Cardeal António Marto

 

Lusa/Ao online   Nacional   13 de Out de 2018, 07:50

Um convite do líder norte-coreano, Kim Jong Un, para o papa visitar Pyongyang "será sempre bem-vindo", disse esta sexta feira o cardeal António Marto, sublinhando que Francisco não é ingénuo e é preciso garantir liberdade religiosa no país.

"Se o convite for feito, acho que será sempre bem-vindo para o papa. Mas o papa acho que também não é ingénuo. É preciso dar alguns passos - pelo menos garantir a liberdade religiosa [no país]", disse o cardeal de Leiria-Fátima durante a conferência de imprensa da peregrinação de outubro, em Fátima.

Para o cardeal português, sem a garantia de liberdade religiosa na Coreia do Norte a visita do papa Francisco "não teria grande sentido", podendo correr o risco de ser "uma instrumentalização da figura do próprio papa".

No entanto, não descartando um interesse político por trás do convite, António Marto frisou que "Deus escreve direito por linhas tortas".

"Quando começa um namoro, por vezes, não se começa com a melhor intenção e depois vai-se purificando e vai-se fazendo o melhor convite", acrescentou o cardeal, sobre o assunto.

António Marto congratulou-se também pelo sucesso das conversações entre a Igreja e a China, notando que tal aconteceu já depois de um bispo chinês ter presidido à peregrinação de maio, em Fátima.

Na peregrinação de outubro de 2019, será o cardeal da Coreia do Sul a presidir às cerimónias, acrescentou.

Na peregrinação de outubro deste ano, é o bispo de Hiroshima, Alexis Mitsuru Shirahama, que preside às celebrações.

Durante a conferência de imprensa, Alexis Mitsuru Shirahama sublinhou que trouxe consigo 103 mil terços rezados na sua diocese durante o centenário das aparições de Fátima, que decorreu em 2017, e que serão entregues no sábado na Capelinha das Aparições.

O reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas, salientou o aumento do número de grupos de peregrinos vindos da Ásia, onde "as igrejas cristãs apresentam uma vitalidade muito grande".

"Com alguma surpresa verificamos a chegada de cristãos vindos da China continental", sublinhou, bem como de comunidades emergentes da Coreia do Sul.

Segundo dados do Santuário, Fátima acolheu 31.561 peregrinos asiáticos em 2017, destacando-se os grupos do Vietname (5.884), Filipinas (5.628), Coreia do Sul (4.943) e China (3.406).



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.