PSD concorrerá sozinho nas eleições regionais de 2028 nos Açores

O social-democrata e presidente do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro, disse que os acordos de coligação entre os três partidos vigoram até 2028 e, nas próximas eleições regionais, o PSD concorrerá sozinho



“Vamos cumprir os nossos acordos. […] Sou cumpridor dos meus compromissos e da palavra dada, e, portanto, vou cumprir a palavra dada. A [atual] coligação pré-eleitoral vai até 2028, […] isso significa que, a partir de 2028, não há coligação pré-eleitoral. É o que foi acordado, é o que vai ser cumprido”, disse José Manuel Bolieiro em entrevista ao ‘podcast’ da Antena 1 Política com Assinatura, divulgado esta terça-feira.

Questionado se nas próximas eleições regionais o PSD concorrerá sozinho à presidência do Governo Regional açoriano - que desde 2020 é liderado pelo PSD em coligação com CDS-PP e PPM -, respondeu que “sim”.

“Sim, não haverá coligação pré-eleitoral nas legislativas regionais de 2028. […] E isto é bem entendido e isto é leal na relação com os três partidos, que não ficam melindrados com esta posição, porque eles próprios [os dirigentes], também nos seus partidos, estão a assumir o cumprimento com honra da palavra dada”, declarou o também presidente do PSD/Açores.

Na entrevista, o social-democrata também assumiu que será candidato às próximas eleições legislativas regionais.

A coligação PSD/CDS-PP/PPM venceu as eleições regionais antecipadas realizadas a 4 de fevereiro de 2024 e elegeu 26 deputados, menos três do que os 29 necessários para obter maioria absoluta, enquanto o PS elegeu 23 deputados, o Chega cinco e o BE, o IL e o PAN um cada. O atual executivo de coligação liderado por José Manuel Bolieiro tomou posse a 4 de março, um mês após as eleições.

Já sobre as relações com o vice-presidente do executivo açoriano e líder do CDS-PP nos Açores, Artur Lima, o presidente do Governo Regional respondeu que “estão bem”, alegando que numa coligação com a solução que foi feita no arquipélago “não quis nunca que o PSD se anulasse e que nenhum dos outros partidos da coligação se anulasse”.

“Mas, quem lidera a governação e faz cumprir o programa do Governo [Regional] aprovado no parlamento sou eu e, portanto, far-se-á de acordo com a minha liderança. E a minha liderança é leal ao cumprimento do nosso programa do Governo e da estratégia delineada para este mandado”, justificou.

Depois da jornalista referir que os açorianos têm “uma espécie de uma ideia de que Artur Lima manda mais” que José Manuel Bolieiro, o social-democrata e presidente do executivo de coligação respondeu que essa “é uma perceção errada”.

“E eu desminto, como, aliás, desmentirá obviamente o próprio Artur Lima”, acrescentou.

Na entrevista foi igualmente abordado o assunto da Base das Lajes, tendo José Manuel Bolieiro admitido que “seria ingénuo” se, no curto prazo, “estivesse otimista da possibilidade de alguma alteração” no acordo que existe entre Portugal e os Estados Unidos, adiantando que tem “tentado fazer compreender” ao primeiro-ministro, Luís Montenegro (PSD), que “o valor geopolítico e geoestratégico que Portugal tem, deve-o muito aos Açores”.

Relativamente às contas públicas da região, o presidente do Governo açoriano garantiu que “não há risco de resgate” financeiro e culpou as consecutivas revisões da Lei das Finanças das Regiões Autónomas, alegando que “foram feitas sempre em baixa, prejudicando a estabilidade, a previsibilidade e a regularidade das transferências do Estado para os Açores”.

Sobre o Subsídio Social de Mobilidade, José Manuel Bolieiro reafirmou a defesa de uma solução semelhante à Tarifa Açores, um modelo criado pelo Governo Regional para as viagens interilhas, que permite aos residentes viajar por 61 euros, valor pago na compra do bilhete, sem necessidade de reembolsos.

Quanto à privatização da Azores Airlines, o governante referiu que não tem “nem pessimismos nem otimismos” e, sobre o processo relativo ao ‘handling’ da SATA, assegurou que não implica despedimentos.

Já em relação à saída da companhia aérea de baixo custo Ryanair da região, no final de março, e tendo em conta que neste momento só a TAP e a SATA fazem ligações de e para o arquipélago, José Manuel Bolieiro pediu para “que uma e outra companhia possam reforçar os seus voos”.

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