Açoriano Oriental
Ovar passa a ter entrada paga na noite de Carnaval para “maior segurança“ na cidade

A festa da noite de Carnaval no centro histórico de Ovar vai este ano passar a ter entrada paga, revelou a autarquia, atribuindo a decisão à necessidade de garantir "maior segurança e comodidade" às celebrações de rua.

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Foto: LUSA/PAULO NOVAIS
Autor: Lusa/AO Online

Em causa está a chamada "Noite Mágica" que, na véspera da Terça-Feira Gorda, e durante toda a madrugada, tem levado cerca de 100.000 pessoas à referida cidade do distrito de Aveiro, onde nessa data cada rua e praça é animada com um estilo musical próprio, diferente do das restantes.

O acesso ao centro histórico nesse período vinha sendo gratuito, mas em 2018 a organização do Carnaval já implementou o controlo de entradas, "só para contabilizar visitantes e desmotivar excessos com álcool e armas" e este ano irá agora introduzir a entrada paga, ao preço de um euro mediante compra antecipada de bilhete até 07 de fevereiro e de três euros em caso de aquisição apenas no próprio dia.

"Nos últimos anos tivemos momentos de enorme aflição dado o elevado número de foliões na noite de segunda para terça-feira e este valor simbólico permitirá reduzir o número de acessos ao recinto e qualificar o tipo de público, o que garantirá mais segurança à festa e também maior comodidade a quem circula no centro histórico durante a festa", declarou à Lusa o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro.

A introdução de pagamento contribuirá ainda para outro objetivo da autarquia.

"Além de assegurar um melhor fluxo de pessoas, a entrada paga vai ajudar à sustentabilidade financeira do evento, que temos vindo a otimizar nos últimos anos com investimentos destinados a melhorar a visibilidade dos espectadores dos cortejos, como aconteceu com as plataformas para peões e com os camarotes, e a diminuir o impacto ambiental da festa, impondo o uso de copos reutilizáveis", explicou.

O custo global do Carnaval de Ovar é de cerca de 650.000 euros, dos quais 300.000 representam apoios diretos atribuídos aos 24 grupos e escolas de samba locais que desfilam nos corsos de sábado, domingo e terça-feira - num universo de 2.000 figurantes.

Salvador Malheiro defende que esse investimento se tem refletido "num aumento evidente da qualidade do Carnaval vareiro" e, consequentemente, num maior retorno financeiro para todo o tecido económico envolvido no evento.

"Os dois bares concessionados para o Carnaval deste ano já renderam mais de 50.000 euros em hasta pública, o que é um recorde e significa que os empresários sabem que vão recuperar facilmente esse dinheiro", realça.

Na edição de 2020, o evento "ainda não se vai pagar a si próprio", mas, feitas as contas, e mesmo considerando que "quem vive no centro histórico não vai pagar entrada na Noite Mágica", a expectativa do autarca é que o Carnaval de Ovar "atinja a sua sustentabilidade financeira num prazo de três anos".

A programação oficial da edição de 2020 do Carnaval de Ovar arranca a 01 de fevereiro com a atuação do grupo de samba brasileiro Monobloco, o que, segundo Salvador Malheiro, tem motivado "um interesse louco" por parte da comunidade de imigrantes do Brasil a viver em Portugal e explica o facto de que "os hotéis de Ovar já estão cheios para esse dia".

A cantora brasileira Alcione é outro destaque deste ano pelo seu concerto a 15 de fevereiro, sendo que também há espetáculos previstos com Quim Barreiros, Toy, Anselmo Raph, Waze e Supa Squad.

Caminhadas noturnas, desfiles da comunidade sénior e infantil, um corso aberto à população em geral, cortejos gerais ou só com escolas de samba, visitas guiadas à Aldeia do Carnaval (onde se concentram as sedes dos 24 grupos de Entrudo locais) e programas turísticos com deslocação a unidades de fabrico de pão-de-ló de Ovar, ao Museu Escolar Oliveira Lopes e a património azulejar são outras das iniciativas inseridas na programação de 2020 - cujas propostas estão acessíveis a preços entre os 0 e os 15 euros.


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