Vaga de assaltos na Região Norte

Ourives desesperados com onda de assaltos

A Associação dos Industriais de Ourivesaria e Relojoaria do Norte (AIORN) admitiu  que "já não sabe o que fazer" para travar a vaga de assaltos aos seus associados.


O assalto mais mediático - a uma ourivesaria e museu de ouro contíguo em Viana do Castelo - "foi apenas mais um de muitos" a operadores do sector, sublinhou o dirigente da AIORN Nuno Rocha, que falava à Lusa em nome da Direcção da estrutura.

Somando números da GNR e da PSP, conclui-se que em 2005 se registaram 47 assaltos a operadores do sector, número que subiu para 63 em 2006.

No final do primeiro trimestre deste ano, as duas polícias já registavam quatro dezenas de casos.

"Ninguém faz nada e os ourives continuam a ser uma autêntica mina para os assaltantes", lamentou o dirigente, que se queixou de falta de "feedback" sobre a actuação policial nestes casos e de uma espécie de "discriminação negativa" do sector face a outros igualmente mais apetecíveis para os criminosos.

Nuno Rocha referia-se à introdução do sistema "táxi seguro", para reforçar a segurança dos taxistas, e a um plano da Comissão para a Segurança dos Postos de Abastecimento de Combustíveis para travar assaltos a gasolineiras.

As preocupações da AIORN foram também expressas em comunicado, agora divulgado.

Nesse comunicado refere-se que "o flagelo que atinge o sector da ourivesaria da forma mais grave de que há memória não tem suscitado nas autoridades competentes o interesse e a atenção merecidas".

Para um sector económico como a ourivesaria, "que atravessa a maior crise de sempre, estes ataques determinam a intensificação desta situação dramática", acrescenta o comunicado.

A AIORN garante ainda que "tem tentado, por todos os meios, fazer ouvir a voz de revolta dos ourives, trabalhando com o Ministério da Administração Interna e com a Polícia Judiciária e chamando a atenção dos mass-media para esta situação".

Esta associação também tem organizado seminários, colóquios e outras actividades, onde se procura sensibilizar o sector para novas formas de segurança e para a necessidade de mudança de hábitos, de forma a diminuir o risco de assaltos.

A AIORN produziu um "Manual de Boas Práticas" com recomendações aos associados sobre os cuidados a ter. As recomendações vão, sobretudo, no sentido de se alterarem frequentemente os percursos e as viaturas de transporte.

Nuno Rocha considera, contudo, que o incremento da cultura de segurança entre os operadores do sector "não resolve tudo", sobretudo nos momentos em que os revendedores fazem transporte apeado dos valores do armazém para a viatura e desta para o retalhista.

Fonte ligada à investigação criminal admitiu à Lusa que não há nenhum programa especial de segurança vocacionado para comerciantes de ouro.

Sem ter "dados factuais" que confirmem um crescendo desse tipo de criminalidade, a fonte reconheceu um aumento do sentimento de insegurança entre os operadores do sector, afectados por alguns assaltos com algum grau de violência.

"Os crimes mais violentos e mais mediatizados têm maior impacto no agudizar do sentimento de insegurança e, no caso do ouro, essa percepção agudiza-se por se tratar de uma actividade em recessão", disse.

Um dos últimos assaltos aconteceu na tarde de sexta-feira em Gondomar, quando um grupo encapuzado assaltou um vendedor de um ourives que regressava, de automóvel, à sede da empresa. Os assaltantes levaram todas as malas cheias de mostruário de ourivesaria.

Já no passado dia 06, o Museu de Ouro Tradicional e a Ourivesaria Freitas, em Viana do Castelo, foram assaltados por um grupo de quatro indivíduos encapuzados, que levaram objectos em ouro e relógios num valor que o proprietário estima ser superior a 1,5 milhões de euros.

Os assaltantes foram surpreendidos pela presença de agentes da PSP, tendo reagido com "tiros de caçadeira de canos serrados e de pistola".

Outro caso dramático ocorreu em Janeiro deste ano, quando o proprietário de uma ourivesaria de Bajouca, Leiria, foi assassinado à facada e a tiro, após tentar repelir os assaltantes com um martelo.
PUB

Uma mulher ficou em prisão preventiva depois de ter sido detida por estar “fortemente indiciada” do crime de homicídio de um irmão, em Vila Franca do Campo, em São Miguel, Açores, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).