Ordenamento Turístico propõe estratégias por ilha

Ordenamento Turístico propõe estratégias por ilha

 

Olímpia Granada   Regional   22 de Nov de 2007, 14:50

O relatório da proposta do Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores (POTRAA) foi concluído este ano e propõe ao Governo Regional uma visão estratégica para o horizonte temporal de 2015 com carácter vinculativo para as entidades públicas.
“O documento começou por ser um plano orientador quando foi encomendado há cinco anos”, recorda a directora regional do Turismo, Isabel Barata, porém, “sentiu-se a necessidade de criar um plano que não fosse apenas orientador mas que fosse, também, de alguma forma, normativo, pelo menos para as entidades públicas”.
A mudança de objectivo da natureza da proposta resultou da reflexão feita em torno do desenvolvimento turístico ocorrido nos Açores, nomeadamente com a duplicação do número de camas.
A decisão, explica a governante, “implicou uma série de alterações, nomeadamente a criação de uma comissão mista de acompanhamento e outros mecanismos previstos na lei para os planos sectoriais”.
O concurso público para a execução da proposta foi ganho pelo consórcio GEOIDEIA/ IESE/PLURAL e participaram, conforme previsto no enquadramento legal, diversos departamentos da Administração Pública regional (equipamentos, ambiente ou organização pública, entre outros) e entidades associativas como, por exemplo, a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, a Universidade dos Açores, ou associações ambientais e agrícolas.
Isto porque se trata de um plano que também é, de alguma forma, orientador da ocupação e gestão do território.
“É um documento que, acima de tudo, limita, como plano sectorial que é, o número de camas, que define espaços territoriais, que cria uma nova figura que são os empreendimentos integrados e que também identifica produtos-chave para as ilhas”, diz Isabel Barata.
O relatório constituído por três partes distintas ( Estratégia e Programa de Intervenção fundamentados a partir do levantamento da realidade actual, cinco linhas estratégicas de desenvolvimento (LED) traduzidas em medidas e acções e, por último, a proposta do Modelo de Organização Territorial), defende em termos genéricos “os máximos efeitos positivos no domínio socioeconómico dentro de uma garantia de sustentabilidade do processo”.
Assim, num contexto assumido de crescimento da procura estabilizado entre 8,5 a 9,5 por cento/ano, o POTRAA fixa, em primeiro lugar, o número máximo de 16500 camas  possíveis (às quais se adicionará uma bolsa global de 1650 camas, como reserva) até 2016. A distribuição por ilha prevê, por exemplo, que a oferta de camas em São Miguel possa crescer até 52 por cento, ou seja, até um total de 8605 camas no período de vigência do POTRAA.
Em termos de políticas, o documento incorpora o princípio de que a Região deve investir “num progressivo afastamento das tendências de massificação” mesmo sendo o sector “um vector-chave da economia regional”.
O relatório recomenda ainda a criação de zonas de aptidão turística e espaços específicos de ocupação turística - delineadas geograficamente na proposta - que as autarquias deverão considerar aquando da revisão do Planos Directores Municipais (PDM).
Um outro aspecto destacado pela directora regional do Turismo relativamente ao POTRAA, tem a ver com a criação do conceito de “empreendimentos integrados, que se poderão localizar nos espaços específicos de vocação turística e que neste momento correspondem a zonas não urbanizáveis, em ligação com os sistemas de incentivos criados e disponibilizados pela Secretaria Regional da Economia”.
Por exemplo, empreendimentos que tenham equipamentos de animação como campos de golfe, centros de bem-estar ou SPA.
Isabel Barata explica que “independentemente da qualidade do nosso parque hoteleiro, que é bom, temos alguma necessidade de ter hotéis que são designados por ‘resorts’ onde as pessoas se alojam, podem ir passear para conhecer as ilhas que visitam mas em que, também, têm ocupação caso o tempo esteja mau, ou pretendam descansar, à semelhança de muitos outros destinos”.
No entender de Isabel Barata, esta oferta diferenciada não surgiu antes porque, no seu todo, a oferta hoteleira era reduzida e perante a existência de uma grande percentagem de turismo de negócios, “naturalmente os empresários investiram em hotéis que servem quer o turismo de lazer quer o turismo de negócios”.
Actualmente, tendo-se registado o incremento do turismo de lazer “verifica-se uma procura por parte desse segmento de uma oferta com outras características”, refere Isabel Barata.
O POTRAA limita a construção em espaços ecológicos de maior sensibilidade, como as bacias das lagoas e alguns ecossistemas fundamentais.
Apesar da proposta inscritas no Plano identificarem as áreas vocacionadas para o Turismo e as áreas indesejáveis à expansão turística, o relatório frisa, no entanto, que as opções assumidas no POTRAA não pretendem definir o estatuto dos solos, considerado em planos de outra natureza.
Em termos de identificação da oferta de produtos turísticos-chave a incentivar por ilha, o POTRAA considera apostas estratégicas centrais, por exemplo, a exploração e dinamização do Vulcanismo em São Miguel, do Património Edificado na Terceira, do Queijo em São Jorge, das Praias em Santa Maria, da Baleia no Pico, do Termalismo na Graciosa, da Diversidade Paisagística nas Flores, da Náutica de Recreio no Faial e do tema Comunidade no Corvo.
Isabel Barata alerta, no entanto, para o facto de que um “plano sectorial não é nenhuma panaceia”. Daí que o POTRAA seja também complementado pelo plano de marketing, refere.
A directora regional do Turismo adianta que a identificação de mercados e clientes está claramente feita: “Em termos de mercados estrangeiros, essencialmente as pessoas que vêm para os Açores vêm para o Turismo de Natureza, praticando muito pedestranismo, algum ‘whalewatching’ e também pratica golfe”.
Em termos do mercado nacional, conclui, o turista caracteriza-se pelo ‘turing’ (visita às ilhas, ver as paisagens e desenvolvimento algumas actividades mas com menos prática de pedestranismo).
Isabel Barata defende uma promoção do destino Açores honesta, ou dito de outra forma, procurar cativar “turistas que apreciem a nossa oferta, que venham à procura das características dos Açores, ou seja de um destino onde há uma natureza intacta, que a respeitem e deixem alguma mais-valia na Região”.
“O que nós não queremos é pessoas que venham para os Açores por engano, clientes de sol e praia, e, aliás, essa é uma das nossa principais preocupações com os operadores que trabalham com os Açores e que é a de que os Açores sejam vendidos de uma forma muito clara, que seja dito às pessoas qual é a oferta e qual é o tipo de destino!”, afirma a directora regional do Turismo.

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