Açoriano Oriental
Oposição critica gestão da SATA mas PS/Açores diz que não deixa cair a empresa

A oposição no parlamento dos Açores criticou a gestão da SATA, dizendo que a transportadora "bateu no fundo", mas o PS/Açores assevera que não vai "deixar cair" a empresa.

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Foto: Eduardo Resendes
Autor: Lusa/AO Online

"Em dez anos e com 200 milhões de euros de prejuízos depois, a SATA bateu no fundo. O caos está instalado, as acusações de gestão danosa do interesse público são recorrentes, encontra-se em falência técnica, a sua mera sobrevivência é agora a principal preocupação dos seus trabalhadores e da generalidade dos açorianos", considerou o deputado do PSD/Açores António Vasco Viveiros.

O parlamentar apresentava uma declaração política na sessão plenária do parlamento dos Açores, na Horta, onde abordou a "desastrosa condução" do concurso de alienação de 49% da Azores Airlines, o ramo da empresa que voa de e para fora dos Açores.

No começo de novembro, a comissão de acompanhamento da privatização de 49% da Azores Airlines, processo que foi interrompido, dizia que a única proposta apresentada, pelos islandeses da Icelandair, não cumpria o caderno de encargos exigido.

Para o PSD, a situação da SATA "pode comprometer o futuro político" do Governo Regional dos Açores e para o líder do executivo, Vasco Cordeiro, "só importa salvar o seu futuro político".

Na resposta, o secretário regional adjunto da Presidência, Berto Messias, sublinhou que Vasco Cordeiro estará na próxima semana em sede de comissão de inquérito a responder a "todas as perguntas" que os partidos entendam fazer sobre o processo.

Já Francisco César, deputado do PS, garantiu o compromisso socialista de "não deixar cair a SATA", procurando um "processo de alienação que funcione".

"Sabemos o que queremos com a SATA, algo que não se pode dizer do PSD", disse.

Pelo CDS-PP, o deputado Artur Lima acusou o executivo de "permitir que a SATA seja administrada por telecomando", criticando o parlamentar a escolha de alguns quadros da empresa, nomeadamente o seu presidente do conselho da administração.

Paulo Estêvão, deputado único do PPM, considerou que a SATA "é uma espécie de Vietname para o Governo Regional", a "exteriorização do fracasso" da governação socialista.

Pelo Bloco de Esquerda, o deputado Paulo Mendes escusou-se a entrar no debate sobre "quem privatiza melhor", questionando antes a quem serviu "um processo tão mal organizado, tão mal planeado" como o primeiro concurso de privatização da Azores Airlines.

No começo de novembro, o concurso para a privatização de 49% da Azores Airlines foi anulado após a divulgação de documentos que causaram um "sério dano ao grupo SATA e aos Açores", anunciou então o Governo dos Açores.

Em nota de imprensa, o Governo dos Açores dizia na ocasião que "decidiu dar orientações ao conselho de administração do grupo SATA para anular o presente concurso público de privatização de 49% do capital social da Azores Airlines e preparar o lançamento de um novo concurso com o mesmo objetivo".

Em causa estão notícias que citavam documentos privados da comissão de inquérito do parlamento açoriano ao setor empresarial público, indicando, por exemplo, que não havia uma proposta formal apresentada pelos islandeses da Icelandair, única entidade qualificada para a segunda fase da alienação, antes o intuito de abrir um período de negociações com a SATA.

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, mostrou-se à época dececionado com a divulgação de informação "confidencial" em torno do processo de alienação de 49% da Azores Airlines, frisando que este "é um caso de polícia".


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