Nobel da Economia alerta que austeridade agrava a situação


 

Lusa/AO online   Economia   14 de Ago de 2012, 11:24

O prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz alertou na segunda-feira, em Buenos Aires, que a austeridade agrava as consequências da crise europeia e defendeu a reforma do quadro europeu e a reestruturação das dívidas nacionais.

Para Stiglitz, a crise que afeta a Europa não só se deve a um endividamento excessivo como a “falhas fundamentais” no quadro da zona euro, que “não funciona”.

“Se não houver uma reforma do quadro europeu, o futuro é negro”, disse o Nobel da Economia, durante uma apresentação sobre o panorama económico mundial numa cerimónia liderada pela Presidente argentina, Cristina Fernández.

Stiglitz lamentou, porém, que a resposta à crise europeia tenha “representado uma má gestão da mesma e exacerbado as suas consequências e natureza”, referindo-se “às políticas de austeridade adotadas por muitos países”.

“Quando existem pacotes de austeridade, desacelera-se a economia”, explicou o Nobel, lamentando ainda que a União Europeia não tenha tido em conta a experiência da Argentina, que testou a austeridade depois da crise de 2001, da qual saiu através de uma reforma da taxa de câmbio e reestruturação da dívida.

Os governos europeus “não entenderam a crise monetária, a crise da dívida e lançaram um conjunto de políticas que vieram agravar as coisas rapidamente, incrivelmente depressa”, acrescentou.

Os problemas, apontou, “não se devem ao sobreendividamento público”, mas porque os Governos “responderam à crise da dívida do setor privado” e a “dívida passou do setor privado para o público”.

Agora, a saída para a crise, indicou, passa por uma reforma do quadro europeu, reestruturação da dívida, aproveitamento dos recursos humanos e criação de expetativas animadoras, como fizeram os Estados Unidos para desviar a atenção dos seus problemas na década de 80.

Na mesma ocasião, a Presidente argentina criticou a falta de liderança política na zona euro e alertou que se esta situação não se inverter, as consequências poderão ser incontroláveis.

“Mais do que ideias económicas e um quadro teórico, o grande problema para encontrar uma solução para a crise é a falta de liderança política para enfrentar a situação e tomar as decisões que têm de ser tomadas”, afirmou Fernández durante uma seminário dedicado ao tema “Crise da Dívida e a sua Resolução”.


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