Museu da Emigração recolhe pronúncias açorianas


 

Lusa / AO Online   Regional   7 de Dez de 2007, 14:31

O Museu da Emigração Açoriana, na ilha de São Miguel, vai efectuar até Fevereiro de 2008 uma recolha das pronúncias e sotaques das ilhas, uma compilação para incluir num trabalho científico a apresentar pela Universidade de Veneza.
    O coordenador do Museu da Emigração Açoriana, localizado na cidade da Ribeira Grande, adiantou à agência Lusa que vão ser realizadas mais de duas dezenas de gravações áudio de pessoas que se verificou terem sotaques muito característicos e particulares de cada lugar das nove ilhas açorianas.

    Na prática, explicou Rui Faria, são escolhidas entre duas a três pessoas por ilha, sendo que em São Miguel e no Pico deverão ser quatro gravações, por se tratarem de duas ilhas onde se nota existir uma grande particularidade de sotaques de lugar para lugar.

    "As ilhas açorianas têm pronúncias e expressões muito características e particulares de lugar para lugar, na mesma ilha", sublinhou Rui Faria, ao indicar que a recolha científica resulta de um convite do professor Francisco Della Vale, docente da Universidade de Veneza, que já realizou outros estudos, nomeadamente sobre as línguas italiana, inglesa e irlandesa.

    Além do sotaque (a fonética e o som), o coordenador do Museu lembrou existirem várias expressões características da população açoriana, caso da falsa (sótão) e ainda algumas palavras de influência da emigração como "televeja ou tivi" - do inglês television ou TV (televisão), "sinó" - snow (neve), "mechim" - machine (máquina), "friza - freezer (congelador), "estoas" - store (lojas) e "gamas" - gum (pastilhas elásticas).

    Para as gravações áudio, os intervenientes vão seguir uma base textual fornecida pelo professor Francisco Della Vale, explicou Rui Faria, indicando que este processo deverá estar concluído em Fevereiro do próximo ano.

    Em Março será então feito o tratamento destas gravações para que sejam incluídas no trabalho científico a apresentar pela Universidade de Veneza sobre a pronúncia e sotaque dos países lusófonos, acrescentou.

    Para o coordenador do Museu, trata-se de um trabalho que "dignifica" o arquipélago açoriano, dado que alarga as suas relações com centros de estudo a nível europeu, nomeadamente a Universidade de Veneza, permitindo igualmente divulgar a cultura açoriana junto das comunidades de emigrantes.

    "Depois da conclusão deste trabalho pela Universidade de Veneza, o que deverá ocorrer em 2009, pretendemos fazer a sua divulgação também nos Açores", disse o coordenador do Museu, frisando que a instituição tem vindo a realizar uma recolha de expressões características açorianas.

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