Momento crítico nas relações Açores-EUA

Momento crítico nas relações Açores-EUA

 

Jean Elizabeth Manes   Regional   28 de Nov de 2008, 22:57

Há que determinar se Portugal (e Açores) e Estados Unidos continuamos a falar do passado ou de facto avançamos para um novo capítulo e construímos um futuro conjunto, até porque há muito
a fazer a nível das energias renováveis, alterações climáticas, turismo e ciência marinha
O relacionamento entre os Estados Unidos e os Açores está num momento crítico, em que temos de determinar se continuamos a falar do passado ou se de facto avançamos para um novo capitulo e construímos um futuro conjunto.
Na minha opinião, as futuras áreas de cooperação entre os Estados Unidos e Portugal, especialmente os Açores, passam pelas energias renováveis, alterações climáticas, turismo e ciência marinha. A componente militar continuará a ser importante, mas não será, com certeza, a área predominante de cooperação. Assim como qualquer negócio ou indústria – há que mudar. O futuro da componente militar dependerá da nossa capacidade de cooperação e de encontrar novas missões para a Base das Lajes. Os Estados Unidos propuseram desenvolver, em parceria com Portugal, um centro de treinos aéreos nas Lajes, a ser utilizado pelos Estados Unidos e pela NATO. Esta proposta está a ser revista pelo governo Português, mas é claro que todos teremos de nos debruçar sobre estas novas missões com um olhar inovador e proactivo, para que a presença americana nos Açores continue relevante. Presentemente, o Aeroporto das Lajes é usado em 70% por aviões comerciais portugueses, 20% por militares americanos e 10% por outros.
Em outras áreas de cooperação – energias renováveis, alterações climáticas e ciência marinha – temos grandes oportunidades.
Relativamente às energias renováveis, foram assinados alguns acordos entre os dois países quando da visita a Portugal do Secretário da Energia, Samuel Bodman, em Maio de 2008.
Em relação às alterações climáticas, o assunto é globalmente importante e os Açores têm um papel fundamental. No fim de 2008, o Departamento de Energia em cooperação com o Governo Regional dos Açores irá iniciar um novo projecto na ilha da Graciosa, com a instalação de uma estação de monitorização do clima.
O Departamento de Energia indicou os Açores como a localização ideal para estudar as nuvens em oceanos subtropicais, o que contribuirá para melhor prever as alterações climáticas. Esta estação móvel, uma das cinco no mundo, irá interessar toda a comunidade científica e os dados serão disponibilizados gratuitamente a investigadores e cientistas em todo o mundo.
Relativamente à ciência marinha, em Abril passado uma delegação estatal americana visitou os Açores. A delegação, liderada pelo Congressista Barney Frank, incluía 60 indivíduos de Massachusetts e Rhode Island das mais diversas áreas: académicos, empresários e políticos. Durante essa visita, a Universidade de Massachusetts Dartmouth propôs desenvolver um grupo de investigação que consistiria num centro de estudos onde europeus e americanos reconheceriam a localização estratégica dos Açores e as suas condições únicas para o estudo das alterações climatéricas e estudos marinhos. O Centro traria cientistas de todo o mundo para contribuir para esta crítica área de estudo e de investigação.
Temos mais algumas mudanças no nosso relacionamento. Após a regular história de emigração, com momentos altos durante o Vulcão dos Capelinhos e com a caça à baleia, os Estados Unidos já não recebem um número significativo de emigrantes Açorianos. Nos últimos cinco anos emigraram, em média, 50 pessoas por ano. Em muitos aspectos, esta redução na emigração para os Estados Unidos é positiva, pois demonstra o crescimento económico dos Açores e o surgimento de novas oportunidades. Por outro lado, sabemos que a segunda e terceira geração já não têm laços tão fortes ao país de origem. Isto significa que, neste momento, temos uma janela de oportunidades única no relacionamento Estados Unidos/Açores. Em nenhum momento da história houve tantas pessoas em lugares chave nos Estados Unidos, em diferentes áreas, como a académica, política e económica, com raízes açorianas ou com especial interesse nos Açores.
O nosso desafio é aproveitar esta oportunidade e utilizá-la estrategicamente para desenvolver esta parceria entre os Estados Unidos e os Açores.
Não conheço nenhuma outra região com esta vantagem. Falo de três membros do Congresso Norte-Americano eleitos pelo Estado da Califórnia – Congressistas Nunes, Cardoza e Costa; Congressistas Barney Frank e Patrick Kennedy; Senador Edward Kennedy; inúmeros membros de governos locais, dos Estados de Massachusetts e Rhode Island; as Universidades de Massachusetts Dartmouth, Brown, Bristol Community College; a longa lista de cidades irmãs, empresários e comunidades.
Esta vantagem não tem precedentes, mas não dura para sempre. Os indivíduos e grupos mencionados querem novas parcerias e acordos entre os Estados Unidos e os Açores, mas temos, em conjunto, de incentivar e continuar em frente, principalmente em áreas como a climatérica e marinha.
O nosso maior desafio é aproveitar este momento da história, construindo o futuro.

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