Milhares de polícias e jornalistas na Cimeira de Lisboa para aprovar Tratado Reformador


 

Lusa/AO   Internacional   18 de Out de 2007, 06:08

A aprovação do Tratado Reformador, que substitui a frustrada Constituição Europeia, é o principal objectivo dos dois dias da Cimeira de chefes de Estado e de Governo da UE que hoje se inicia em Lisboa.
Na capital portuguesa vão estar 30 delegações com 400 pessoas, mobilizando três mil polícias, um milhar de jornalistas e 70 oficiais de ligação com a sua babel de línguas oficiais.

    A tradicional foto de família da Cimeira de Lisboa integrará 63 pessoas, nomeadamente os chefes de Estado e de Governo, o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o Alto Representante para as Relações Externas, Javier Solana, o anfitrião e Presidente em exercício da UE, José Sócrates, para além dos 27 ministros dos Negócios Estrangeiros da União.

    A aprovação em Lisboa do futuro Tratado e a sua posterior assinatura formal até ao final do ano, também na capital portuguesa, foi assumida como "a prioridade das prioridades" da actual presidência portuguesa do bloco europeu dos 27, que termina a 31 de Dezembro próximo.

    No entanto, até à última da hora subsistem problemas por resolver, levantados pela Polónia e mais recentemente pela Itália.

    Varsóvia deverá ver consagrado no texto do novo Tratado, e não num anexo, como estava previsto até agora, uma cláusula que permitirá a um Estado-membro bloquear ou adiar a aprovação de uma decisão, considerada de interesse vital, mesmo estando em minoria.

    Segundo fonte da presidência, a Itália, que reivindica o aumento do número de deputados nacionais no Parlamento Europeu, é o país que poderá levantar maiores dificuldades na recta final das negociações.

    Roma exige o mesmo número de eurodeputados do Reino Unido e França, como até agora, apesar de ter uma população inferior à destes dois países.

    A Itália está disposta a adiar a resolução da questão, mas a presidência portuguesa insiste sobre a sua resolução em Lisboa.

    Caso seja possível chegar a acordo na reunião que hoje se inicia, vada um dos 27 Estados-membros terá em seguida de ratificar o novo Tratado até à Primavera de 2009, a tempo de este entrar em vigor antes das eleições para o Parlamento Europeu de Junho do mesmo ano.

    Lisboa acredita que um acordo já na Cimeira de Lisboa criará um ambiente político mais favorável à concretização das outras grandes tarefas que a presidência portuguesa tem pela frente até ao final do ano: a organização da segunda cimeira UE/África, a gestão da sensível questão do Kosovo e o início das negociações internacionais para se aumentar a utilização de energias renováveis e combater as alterações climáticas.

    As delegações presentes na Cimeira informal de Lisboa incluem as dos 27 Estados membros, da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu que serão acompanhadas por cerca de 1.300 jornalistas europeus e de diferentes partes do mundo e envolverá um considerável número de polícias, mas não obriga a medidas especiais de segurança, disse à Lusa fonte oficial.

    “Não há nenhum plano especial”, disse à agência Lusa o director do Gabinete Coordenador de Segurança, general Leonel Carvalho, precisando que a operação de segurança estará a cargo da PSP.

    A protecção das altas individualidades que se deslocarão a Lisboa no âmbito da presidência Portuguesa da UE vai ser assegurada pelo Corpo de Segurança Pessoal daquela polícia e a vigilância feita igualmente por elementos da PSP destacados para o efeito.

    “Nada de medidas fora do normal”, disse o mesmo responsável, cujo gabinete coordena e avalia o grau de risco de segurança das iniciativas realizadas no país.

    Para além dos três mil agentes polícias destacados por Portugal para segurança nos hotéis, trânsito e sede da presidência, cada delegação oficial integra também os seus próprios agentes secretos e seguranças que não estão contabilizados neste total.

    O trabalho de bastidores do evento é garantido por 100 pessoas da organização auxiliadas nas diferentes salas e corredores da vasta sede da presidência portuguesa por dezenas de hospedeiras que prestarão ajuda aos delegados e jornalistas presentes.

    Os trabalhos da Cimeira de Lisboa decorrerão em três grandes salas que ocupam toda a arena do Pavilhão Multiusos, no Parque das Nações.

    Para além disso, cada delegação dispõe de gabinetes especiais com decoração personalizada e cuja identificação será feita com a flor da presidência portuguesa com as cores de cada país da União.

    Todas as delegações oficiais e os jornalistas receberão como oferta da presidência uma mochila «hi-tech» especialmente concebida para esta cimeira pela Universidade do Minho e que permite carregar telemóveis com energia solar.

    A oferta visa chamar a atenção para as energias limpas na Europa e para a capacidade de inovação tecnológica de Portugal nesta área.
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