“Make-A-Wish deveria estar, pelo menos, nas três ilhas com unidades hospitalares”, diz Nélia Faria

“Make-A-Wish deveria estar, pelo menos, nas três ilhas com unidades hospitalares”, diz Nélia Faria

 

Ao online   Regional   23 de Set de 2018, 10:47

 Pela terceira vez o Parque Natural da ilha Terceira associou-se ao núcleo da Make-A-Wish na ilha e organizou uma caminhada na ilha lilás. Apesar das poucas inscrições prévias, quase meia centenas de pessoas concentraram-se no arranque do trilho “Passagem das Bestas”.

A causa justifica-o: ajudar a realizar desejos de crianças com doenças de risco não olhando a condições sociais. O único propósito da organização mundial Make-A-Wish é trazer felicidade e ânimo às crianças que passam por momentos difíceis.

Mas vamos ao início do trilho: a manhã de sábado promete. O guia Hélder Xavier não é só um conhecedor da fauna e flora da zona como é, também, um brilhante contador de histórias. Ele próprio já se sente parte da equipa Make-A-Wish. Esperava 15 inscritos. Apareceram-lhe 47 companhias para as próximas duas horas e meia. Pela frente estava o recente trilho, “com relheiras, endemismos da fauna e flora e vistas interessantíssimas: tanto para a maior caldeira dos Açores- que é a Caldeira dos 5 Picos- como para a caldeira Guilherme Moniz que é atualmente a única área protegida para a gestão de água”, explicou o guia. 

A caminhada foi realizada no tempo previsto e cumpriu os dois propósitos: angariar fundos para a Make-A-Wish através de uma inscrição de 3€ e dar a conhecer o património natural aos locais e visitantes.

No final da caminhada a frenética Nélia Faria, coordenadora do núcleo da Make-A-Wish da ilha Terceira desde 2012 estava muito feliz com a participação nesta e em todas as iniciativas que têm sido organizadas este ano: “Este evento foi mais um que excedeu as nossas expectativas. Este foi o melhor ano em termos de angariação de fundos do nosso núcleo. Na semana passada, por exemplo, com o mural dos desejos que instalamos no rali Ilha Lilás angariamos 4 mil euros. O objetivo é sermos, à semelhança de 2016, o núcleo português que angariou mais verbas e estamos nesse caminho, com toda a certeza”.


25 desejos já realizados na Terceira e dois em andamento:


Nélia Faria adiantou que em 6 anos a Make-A-Wish já realizou 25 desejos a crianças e jovens na ilha e garante que se as crianças de outras ilhas se candidatarem os voluntários conseguirão arranjar forma de concretizar também os seus desejos.  São Miguel é, para já, a única outra ilha onde a fundação está presente “com um núcleo bem dinâmico, com a minha amiga Manuela Marques. Mas era importante estarmos, pelo menos, nas três ilhas que têm hospitais e para onde as crianças açorianas com estas doenças são encaminhadas. Falta o Faial. E numa situação ideal faltam todas as restantes ilhas”. 

Nélia Faria diz, ainda, que muitas vezes a maior dificuldade é sinalizar e informar as crianças e famílias: “Os pais pensam que acabam por gastar dinheiro no processo, mas é importante que saibam que a fundação trata de tudo. Nas idas à Disney, por exemplo, a Make-A-Wish assegura a viagem da criança e de todo o agregado familiar. Porque só assim a experiência faz sentido e é realmente feliz.”

No que toca a desejos é, de facto, a Disney, o pedido mais frequente. Mas há outros mais exóticos: “Um menino pediu para estar com vacas da raça Limousine. Outro menino quis estar com o Cristiano Ronaldo, outro quis ir a uma feira de tratores e um que esperou 5 anos para que o médico autorizasse a chegada de um papagaio cinzento de cauda vermelha lá a casa”.

A fundação Make-A-Wish nasceu em 1980 nos Estados Unidos da América, chegou a Portugal há 10 anos e está há 5 anos na região.



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