No total, 2.093 pessoas foram detidas, entre 25 de Setembro e hoje, declarou a televisão controlada pelo regime, adiantando que 692 já foram libertadas.
"Por precaução, o governo tinha ordenado às pessoas para não se concentrarem, mas mesmos assim as pessoas juntaram-se", disse o órgão oficial de informação, adiantando que "elas foram detidas de acordo com a lei".
"Entre os detidos estavam manifestantes, seus apoiantes e alguns espectadores. Mesmo sendo espectadores eles infringiram a lei" contra os ajuntamentos, afirmou a televisão.
Adiantou que as 692 pessoas libertadas assinaram antes uma advertência onde prometem não participar em novas manifestações.
Por outro lado, o principal responsável da ONU na Birmânia disse que o regime militar libertou hoje uma empregada local das Nações Unidas, dois membros da sua família e um motorista interpelados na véspera em Rangum, a antiga capital e maior cidade do país.
"A nossa funcionária e membros da sua família foram libertados esta tarde", declarou à agência noticiosa francesa AFP o coordenador da ONU na Birmânia, Charles Petrie.
Myint Ngwe Mon, de 38 anos, que trabalha para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o seu marido, o seu cunhado e um motorista foram libertados cerca das 17:00 locais (11:30 em Lisboa).
Enquanto as libertações ocorrem a "conta-gotas", as forças de segurança birmanesas continuam a fazer detenções nocturnas e tendo como alvo "suspeitos" fotografados ou filmados durante as manifestações contra a junta, indicaram habitantes de Rangum.
Residentes e grupos dissidentes disseram que durante a noite, famílias inteiras foram levadas das suas casas por militares e transportadas em camiões para local desconhecido.
Há uma semana, Rangum viveu o dia mais sangrento desde que os monges budistas lideraram manifestações para exigir a democratização do país, de que resultaram pelo menos 10 mortos, segundo o governo, embora os grupos dissidentes afirmem que os militares mataram cerca de 200 pessoas.
A BBC noticiou que monges budistas estavam a tentar fugir de Rangum na sequência da repressão dos militares.
O enviado da ONU Ibrahim Gambari deverá informar hoje o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, sobre a sua deslocação de quatro dias à Birmânia, onde se reuniu com a Junta Militar que governa o país e a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, que se encontra sob prisão domiciliária desde 2003.
Birmânia
Mais de 2.000 detidos após manifestações
Mais de 2.000 pessoas foram detidas na sequência das manifestações da semana passada contra a junta militar, informou hoje a televisão estatal birmanesa.
Autor: Lusa / AO online
