Birmânia

Mais de 2.000 detidos após manifestações


 

Lusa / AO online   Internacional   4 de Out de 2007, 16:12

Mais de 2.000 pessoas foram detidas na sequência das manifestações da semana passada contra a junta militar, informou hoje a televisão estatal birmanesa.
    No total, 2.093 pessoas foram detidas, entre 25 de Setembro e hoje, declarou a televisão controlada pelo regime, adiantando que 692 já foram libertadas.

    "Por precaução, o governo tinha ordenado às pessoas para não se concentrarem, mas mesmos assim as pessoas juntaram-se", disse o órgão oficial de informação, adiantando que "elas foram detidas de acordo com a lei".

    "Entre os detidos estavam manifestantes, seus apoiantes e alguns espectadores. Mesmo sendo espectadores eles infringiram a lei" contra os ajuntamentos, afirmou a televisão.

    Adiantou que as 692 pessoas libertadas assinaram antes uma advertência onde prometem não participar em novas manifestações.

    Por outro lado, o principal responsável da ONU na Birmânia disse que o regime militar libertou hoje uma empregada local das Nações Unidas, dois membros da sua família e um motorista interpelados na véspera em Rangum, a antiga capital e maior cidade do país.

    "A nossa funcionária e membros da sua família foram libertados esta tarde", declarou à agência noticiosa francesa AFP o coordenador da ONU na Birmânia, Charles Petrie.

    Myint Ngwe Mon, de 38 anos, que trabalha para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o seu marido, o seu cunhado e um motorista foram libertados cerca das 17:00 locais (11:30 em Lisboa).

    Enquanto as libertações ocorrem a "conta-gotas", as forças de segurança birmanesas continuam a fazer detenções nocturnas e tendo como alvo "suspeitos" fotografados ou filmados durante as manifestações contra a junta, indicaram habitantes de Rangum.

    Residentes e grupos dissidentes disseram que durante a noite, famílias inteiras foram levadas das suas casas por militares e transportadas em camiões para local desconhecido.

    Há uma semana, Rangum viveu o dia mais sangrento desde que os monges budistas lideraram manifestações para exigir a democratização do país, de que resultaram pelo menos 10 mortos, segundo o governo, embora os grupos dissidentes afirmem que os militares mataram cerca de 200 pessoas.

    A BBC noticiou que monges budistas estavam a tentar fugir de Rangum na sequência da repressão dos militares.

    O enviado da ONU Ibrahim Gambari deverá informar hoje o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, sobre a sua deslocação de quatro dias à Birmânia, onde se reuniu com a Junta Militar que governa o país e a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, que se encontra sob prisão domiciliária desde 2003.
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