Argentina

Justiça vai pedir a Espanha extradição de piloto suspeito de ter participado em "voos da morte"

A justiça argentina vai pedir a extradição do piloto da companhia aérea holandesa Transavia Júlio Alberto Poch, suspeito de ter participado nos "voos da morte" durante a ditadura argentina e detido terça-feira em Espanha, disse fonte judicial.


 

"O juiz Sérgio Torres vai pedir a Espanha a extradição de Poch no âmbito de um inquérito aos 'voos da morte'", indicou a fonte à agência France Presse.

Júlio Alberto Poch é um antigo oficial da Marinha argentina reformado e é procurado por actos cometidos quando pilotava aviões na base da Escola Superior de Mecânica do Exército (ESMA), indicou o Ministério do Interior espanhol.

A ESMA foi um dos maiores centros de detenção e de tortura do regime militar argentino, pelo qual transitaram 5.000 dos 30.000 detidos desaparecidos durante a ditadura.

O piloto, actualmente ao serviço da Transavia, uma filial de baixo custo das companhias aéreas KLM e Air France, tem dupla nacionalidade holandesa e argentina e foi detido em Valência quando se preparava para descolar num voo com destino à Holanda.

Poch é reclamado pela justiça argentina no âmbito de quatro processos relativos a crimes cometidos durante a ditadura argentina entre 1976 e 1983, que terão provocado mais de 1.000 vítimas, segundo o Ministério do Interior espanhol.

O juiz argentino Sérgio Torres tinha pedido no final de 2008 à Holanda a extradição de Poch, depois de ter recolhido testemunhos envolvendo o ex-militar nos 'voos da morte'.

Cerca de 30.000 pessoas foram dadas como desaparecidas durante a ditadura militar na Argentina entre 1976 e 1983.

Durante os "voos da morte", os opositores políticos eram drogados e atirados com vida ao mar a partir de aviões militares.

Um dos testemunhos recolhidos é de um piloto da Transavia a quem Poch terá contado como os opositores eram lançados ao mar.


 

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