José Manuel Pureza diz que Fernando Alexandre não tem condições para ser ministro da Educação

O coordenador do BE, José Manuel Pureza, defendeu hoje que Fernando Alexandre “não tem condições” para ser ministro da Educação devido à “trapalhada infindável” em que se embrulhou na digitalização da correção de exames



“Alguém tem de ser adulto na sala e alguém tem de dizer aquilo que é evidente: Fernando Alexandre não tem condições para ser ministro da Educação. Não é agora que eu o estou a dizer, já o disse quando esta situação se mostrou tão evidente”, afirmou o dirigente do Bloco de Esquerda, em declarações aos jornalistas, na ilha Terceira, nos Açores.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu que as pautas dos exames nacionais do ensino secundário poderão não ser afixadas na sexta-feira, conforme previsto, se ainda houver provas por classificar.

"Há sempre riscos, claro. Enquanto eu não tiver as provas todas corrigidas, claro que há riscos", disse Fernando Alexandre, em declarações aos jornalistas à margem do Encontro Ciência e Inovação 2026, que está a decorrer no Centro de Congressos de Lisboa.

Segundo o ministro, estão classificados 99,3 dos itens, mas as principais dificuldades mantêm-se nas disciplinas de Português e Matemática.

Fernando Alexandre justificou o atraso com a dificuldade em recrutar professores para classificar os exames nacionais de algumas disciplinas, relatada à tutela pelo Júri Nacional de Exames, e apelou, por isso, à disponibilidade dos docentes.

Questionado sobre a possibilidade de a publicação dos resultados dos exames não ocorrer no dia previsto, o coordenador do Bloco afirmou que o ministro da Educação se embrulhou “numa trapalhada infindável” com a correção dos exames.

“É muito próprio de uma abordagem liberal ao Estado, que é a de lançar o caos e depois dizer que há um caos e que, portanto, tem que se validar as medidas de privatização ou de natureza excecional”, acusou.

José Manuel Pureza referiu que o ministro “fez depender a sua sobrevivência política” do cumprimento de um prazo, mas agora vem dizer que “o prazo imperativo, sacrossanto, que tinha estabelecido ao país, afinal não se vai cumprir”.

O dirigente do BE considerou, por outro lado, “absolutamente ofensivo” quando se alegou que o atraso “se deve a resistências dos professores”.

“O Governo sabia que este sistema não funcionava, porque há poucos meses houve uma prova-piloto de filosofia em que foram lançados inúmeros sinais de alerta sobre o não funcionamento da correção de provas digitalizadas. O Governo não quis saber de coisa nenhuma, não deu resposta aos sinais de alerta”, criticou.

José Manuel Pureza defendeu que a única conclusão a tirar deste processo é que “quem governa o Ministério da Educação está a desgovernar o Ministério da Educação”, acrescentando que “isso é mau para o país”.

Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a ser avaliados em formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o MECI já tinha adiado, em quatro dias, os prazos inicialmente previstos.

As classificações dos mais de 300 mil exames realizados pelos alunos dos 11.º e 12.º anos deveriam ficar concluídas na terça-feira, para que as pautas fossem afixadas na sexta-feira, mas o ministério decidiu dar mais um dia aos professores para terminar o trabalho.


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