Açoriano Oriental
Investigadores lançam guia sobre tubarões de profundidade dos Açores

Uma equipa de investigadores lançou um guia sobre as 25 espécies de tubarões existentes nos Açores para combater as capturas acidentais na pesca local, estudar e divulgar estes animais, explicou a especialista em ecologia marinha, Laurence Fauconnet.

Investigadores lançam guia sobre tubarões de profundidade dos Açores

Autor: AO Online/ Lusa

Em declarações à agência Lusa, a investigadora, porta-voz do grupo, que integra o Okeanos – Centro de Investigação e Desenvolvimento da Universidade dos Açores, refere que o guia “foi concebido de forma mais direta para os pescadores dos Açores que pescam com palangre de fundo e linha de mão”, sendo o objetivo “ajudar na identificação das espécies”.

Outra da metas da publicação é “sensibilizar para a diversidade das espécies” de tubarões, bem como “despertar a curiosidade” sobre esta espécie, cuja pesca é proibida, acontecendo, contudo, capturas “de forma acidental, com alguma frequência”.

Com a produção do guia, pretendeu-se também “ter mais informação sobre a captura” destes tubarões, visando apurar se a sua população “é sustentável e não está em risco”.

Além de ajudar a comunidade científica, Laurence Fauconnet aponta que o guia pretende divulgar junto da opinião pública a “diversidade de espécies de tubarão que existem nos Açores”, onde "já foram capturados dois indivíduos que eram desconhecidos no mundo”.

De acordo com a especialista, as espécies que predominam no mar dos Açores são o tubarão gata lixa, uma espécie “bem conhecida dos pescadores”, o tubarão lixinhas-de-fundura, que apresenta três variedades na região, a par do tubarão sapatas, onde existem duas variedades brancas e uma preta, bem como os tubarões xara-brancas e carochos.

Para os profissionais do Centro Okeanos, que lançou o guia em colaboração com o Observatório do Mar dos Açores, esta será uma "importante ferramenta de auxílio para a identificação destes animais”.

Inclui “também informação sobre a sua ecologia e como melhorar a sua sobrevivência após captura acidental, com recomendações de boas práticas de manuseamento”.

O guia apresenta ainda “factos curiosos e singulares de cada uma destas espécies, baseando-se no mais recente conhecimento científico”.

A equipa espera também “contribuir para a consciencialização de todos da necessidade de conservar os tubarões de profundidade e os seus habitats, e “despertar a curiosidade sobre estes fascinantes animais, sobre os quais existe ainda um grande desconhecimento".

Com o crescimento do turismo, os Açores têm vindo a ser procurados para efetuar mergulho com tubarões, sendo o arquipélago “um dos poucos locais do mundo onde é possível nadar com um dos peixes mais rápidos dos oceanos: o tubarão Azul”.

O mergulho com tubarões azuis é possível em várias ilhas do arquipélago, mas o local mais visitado e berço desta atividade é o monte submarino Condor, localizado a cerca de 10 milhas do Faial e acessível a partir desta ilha e da ilha do Pico.

Em 2019, a organização 'Sharkproject' enviou uma carta ao presidente do Governo, Vasco Cordeiro, a sublinhar que se observa “uma evolução inquietante nos Açores e nas suas águas territoriais (e 200 milhas da sua Zona Económica Exclusiva)" de pesca ilegal.

A organização, apoiada pela Associação de Operadores Marítimos dos Açores (AOMA), entende que no ecossistema do Atlântico, os Açores “têm uma importância fundamental para a natureza e os seus seres vivos, tanto debaixo como acima da água”.

Defende-se que a conservação deste "singular ecossistema central" é "uma tarefa crucial para a humanidade" e a sua destruição "pode ter consequências graves para os seres humanos, não só nos Açores”.


 
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