IL/Açores alerta para quebra no turismo e acusa Governo de "propaganda"

A Iniciativa Liberal (IL) dos Açores considerou "preocupantes" os dados do Serviço Regional de Estatística (SREA), que apontam para "a nona quebra homóloga consecutiva de dormidas em alojamentos turísticos", e acusou o Governo Regional de "propaganda"



Em comunicado, o grupo de Coordenação Local da IL/Açores apontou para os dados estatísticos referindo que, em maio de 2026, foram registadas 448,7 mil dormidas em alojamentos turísticos na Região, menos 2,2% do que no mesmo mês do ano anterior.

“No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, a redução atinge já 5,6%, evidenciando uma tendência negativa que exige respostas concretas e não exercícios de comunicação política”, alertou a IL.

Citado no comunicado, o coordenador regional da IL, Hugo Almeida, afirmou que, "perante uma tendência de nove meses consecutivos de quebra, o Governo Regional prefere falar em resiliência e destacar o aumento das receitas", quando aquilo que o setor enfrenta "é uma perda gradual de competitividade", e considerou que essa postura representa "propaganda" e não gestão.

Hugo Almeida referiu que “receita não significa rentabilidade”, alertando que os proveitos podem crescer, mas "os custos operacionais, da energia, dos combustíveis, da mão-de-obra e da logística continuam a aumentar".

E, "o resultado para muitas empresas é uma redução das margens e não um aumento da prosperidade", apontou ainda, acrescentando que "confundir faturação com saúde económica do setor é governar para a manchete e não para a economia real".

A IL recordou ainda que, enquanto os Açores registaram nova quebra nas dormidas, Portugal continental registou um crescimento de 2,8% no mesmo período.

O partido considerou igualmente preocupante a situação do alojamento local, que registou uma diminuição de 8,1% nas dormidas, salientando que "cerca de um quarto dos estabelecimentos ativos “não recebeu qualquer hóspede durante o mês de maio".

Para Hugo Almeida, os alertas dos empresários relativamente à perda de competitividade demonstram que o problema "deixa de ser uma questão de perceção" para passar a ser "um problema de governação".

Segundo o partido, a recuperação do setor exige medidas estruturais que reforcem a competitividade do destino, nomeadamente através da "recuperação da conectividade aérea, uma promoção externa estável e plurianual e um enquadramento regulatório que permita às empresas competir em igualdade de circunstâncias".

“Se este Governo Regional [PSD/CDS-PP/PPM] tivesse o mesmo empenho em promover os Açores que demonstra a tentar justificar maus resultados, certamente o setor turístico estaria hoje numa posição mais forte”, sustentou, defendendo que a Região precisa de "políticas que criem condições para investir, crescer e atrair visitantes durante todo o ano, e não de comunicados que procurem transformar maus indicadores em boas notícias".

A Iniciativa Liberal reafirmou o seu compromisso com políticas que "valorizem a iniciativa privada, a criação de riqueza e a liberdade económica”.

“Só através de uma economia mais competitiva será possível devolver dinamismo ao turismo açoriano e assegurar um crescimento sustentável para a Região”, sustentou o partido.


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