IL/Açores admite votar contra Orçamento de 2027 com investimento “diminuto”

O líder da IL/Açores, Nuno Barata, admitiu votar contra o Plano e Orçamento da região para 2027, por considerar que o investimento é “diminuto” e os documentos não apresentarem novidades relativamente aos anteriores.



“Provavelmente ainda vamos ter mais uma reunião dos órgãos regionais da IL, […] mas no quadro daquilo que tem sido a análise dos últimos orçamentos, não me parece que os membros da IL defendam um voto a favor”, afirmou Nuno Barata.

Segundo o dirigente e deputado único regional da IL, que em 2025 também votou contra o Plano e Orçamento para este ano, a responsabilidade da aprovação dos documentos “é muito mais do PS e do Chega, que já assumiram votos de abstenção”.

“Eles [PS e Chega] concordam quase sempre com isso e são coniventes com orçamentos dessa natureza. É isso que eles também sabem fazer, orçamentos estadistas, com o Estado no centro das atenções, e [com] o Estado a acudir a tudo e a todos e nós não acreditamos nisso”, disse o político em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no final de uma reunião do grupo de coordenação local da IL que serviu para analisar as propostas de Plano e Orçamento do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) para 2027.

Segundo Nuno Barata, da análise dos documentos, o partido concluiu, ao nível do Plano de Investimentos para o próximo ano, que, apesar dos alertas, “continua a ter opções de médio prazo que são, no fundo, de despesa corrente. E isso não faz qualquer sentido”.

Também referiu que o investimento é “quase diminuto” e os documentos apresentam-se “sem novidades” relativamente aos anteriores.

Na sua opinião, o Governo Regional liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, “não está interessado em travar a espiral do endividamento”, por isso, o partido admite votar contra a proposta.

Depois de referir que “há sempre espaço ao diálogo”, salientou que caso o executivo, desde que tomou posse, em 2020, tivesse “ouvido mais a IL e executado mais” as suas sugestões para a governação, “provavelmente a região estaria melhor do que está neste momento”.

Nuno Barata reafirmou que o atual Governo Regional é “mau” e é “o pior Governo da história da autonomia, porque não dialoga, porque não sabe o que está a fazer e, principalmente, porque deixa um legado de dívida para o futuro”.

O coordenador regional da IL açoriana, que falava após a realização das audições aos membros do Governo Regional, realizadas na quinta e na sexta-feira, nas comissões especializadas da Assembleia Legislativa, salientou que o Orçamento proposto para 2027 aponta para 1.840 milhões de euros de receitas próprias e 2.103 milhões de despesa efetiva.

“Significa isto que, estamos perante um Orçamento que não inverte o rumo de trajetória do aumento da despesa, da dívida e do endividamento e que já aponta para um défice orçamental de mais de 263 milhões de euros no próximo ano”, acrescentou.

Afirmou, ainda, que para fazer face ao aumento da despesa corrente e ao aumento da dívida, a região prevê endividar-se “em 663,5 milhões de euros”, o que representa “mais de 26% do total das receitas próprias da região”.

A anteproposta de Plano dos Açores para 2027 prevê um investimento global de 1.057 milhões de euros, 650 milhões de euros de “responsabilidade direta” do Governo Regional.

A discussão e votação do Plano e Orçamento dos Açores para 2027 vai acontecer este mês na Assembleia Legislativa Regional, na cidade da Horta, na ilha do Faial.


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