Zelensky acusa Moscovo de intensificar ataques para "exercer pressão" antes das negociações

O Presidente ucraniano acusou Moscovo de intensificar os seus ataques na Ucrânia com o objetivo de "exercer pressão" sobre Kiev antes das negociações entre as delegações ucraniana, russa e norte-americana, previstas para a próxima semana em Abu Dhabi.



"Ao intensificar, neste preciso momento, os seus ataques contra a Ucrânia e as nossas infraestruturas, a Rússia procura, além disso, preparar o terreno para pressionar as posições da Ucrânia e dos seus parceiros", afirmou Volodymyr Zelensky na rede social X, após novos bombardeamentos contra a rede energética ucraniana.

Zelensky avaliou que estes bombardeamentos são a forma como a Rússia "prepara" o encontro trilateral — previsto para 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, entre emissários de Kiev, Washington e Moscovo — numa tentativa de retomar o processo de negociações, que está paralisado desde o início da guerra no Médio Oriente, em fevereiro.

"Contamos com um maior apoio bilateral por parte dos Estados Unidos. Contamos com o Congresso norte-americano para que dedique maior atenção à Ucrânia, uma vez que a Rússia intensifica constantemente os seus ataques", afirmou Zelensky.

O Presidente ucraniano salientou que apenas quatro dos 36 mísseis lançados por Moscovo durante a noite puderam ser neutralizados pelas defesas antiaéreas ucranianas, que enfrentam uma "grave escassez" de intercetores Patriot — de fabrico norte-americano e capazes de abater mísseis balísticos.

"A todos os níveis, procuramos meios de acelerar as entregas e transmitir as mensagens necessárias ao lado norte-americano, para que a Ucrânia disponha dos recursos para proteger vidas", declarou o líder ucraniano sobre o assunto.

Segundo Zelensky, Moscovo utilizou mesmo mísseis balísticos KN-23 — "fabricados e fornecidos pela Coreia do Norte" — para atingir uma "infraestrutura energética fundamental", que sofreu danos.

De acordo com o Ministério da Energia da Ucrânia, os ataques realizados durante à noite passada causaram danos significativos a "inúmeras instalações energéticas" na região da capital, o que prejudica "consideravelmente" o fornecimento de eletricidade a Kiev e aos seus arredores.

"As equipas do setor energético estão a trabalhar a plena capacidade. Os trabalhos, contudo, são retardados por incessantes alertas aéreos", acrescentou o Ministério.

A empresa de energia ucraniana Naftogaz informou ainda que uma das suas unidades, no centro da Ucrânia, foi danificada durante três ataques aéreos ocorridos durante à noite.

Segundo Zelensky, pelo menos nove pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança, nestes ataques, que atingiram cerca de 10 regiões do país.

Em comunicado, o Ministério da Defesa russo afirmou ter atingido, durante a noite, "instalações do complexo militar-industrial, do setor energético e das infraestruturas de transporte" em Kiev e na sua região. Na zona da capital, o Ministério afirmou ter atingido, em concreto, uma central térmica, uma subestação elétrica e uma fábrica de explosivos.

Na manhã de hoje, o presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, anunciou que os ataques russos noturnos danificaram uma importante ponte rodoviária e infraestruturas energéticas em Kiev e na sua região, prejudicando o abastecimento da capital.


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