Guiné quer criar condições para atrair investimento privado estrangeiro


 

Lusa / AO online   Economia   24 de Ago de 2008, 12:09

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Correia, destacou hoje a importância do país criar condições que permitam atrair o investimento privado estrangeiro, admitindo que sozinhos os guineenses não conseguirão valorizar as potencialidades que possuem.
    “Este governo tem como tarefa fundamental realizar as eleições, mas também queremos deixar uma marca de viragem. Vamos tentar nestes três meses criar as condições mínimas para que o país seja apetecível para o investimento privado externo”, afirmou o chefe do governo guineense.

    Carlos Correia, que concedeu à Lusa a primeira entrevista desde que tomou posse, a 09 de Agosto, lidera um executivo que tem como principal tarefa criar condições para que as eleições legislativas se realizem na data prevista, a 16 de Novembro.

    Apesar deste governo apenas ter uma duração estimada de cerca de três meses, o primeiro-ministro não escondeu a ambição de fazer algo mais do que a realização do acto eleitoral. “A Guiné-Bissau é um país com dificuldades, mas também com potencialidades, mas sozinhos não conseguiremos valorizar essas potencialidades. Temos que contar com a colaboração internacional”, admitiu.

    Nessa perspectiva salientou que “a comunidade internacional já começa a olhar para o país com outros olhos”, alertando, no entanto, que “depende do trabalho dos guineenses a melhoria da imagem do país”.

    “Nos últimos dois anos a Guiné-Bissau começou a ser vista com outros olhos, sobretudo por ter retomado relações quase normais com organismos como o FMI ou o Banco Mundial (BM), instituições cuja opinião pode influenciar os parceiros internacionais”, salientou.

    “As nossas relações com o FMI e o BM estão normais, mas um país como o nosso não pode cumprir de um dia para o outro todas as exigências, por mais justas que sejam”, frisou.

    Carlos Correia admitiu que o crescimento económico da Guiné-Bissau tem sido prejudicado pela instabilidade política que o país atravessou desde a crise de 1998, mas salientou que essa situação melhorou nos últimos dois anos.

    “Agora é preciso que essa estabilidade seja acompanhada por mudanças, que criem condições para atrair investimento privado externo”, defendeu.

    Nesse sentido, recordou que o país tem em curso várias reformas institucionais que permitirão “criar os incentivos necessários para que o investimento privado externo possa participar no desenvolvimento da Guiné-Bissau”.

    “Somos um país com capacidade para atrair investimento, agora é hora de utilizar isso para produzir riqueza”, afirmou.

    Relativamente à ajuda externa, Carlos Correia considerou que “quem recebe, acha sempre que é pouco o que lhe dão”, mas considerou que compete aos guineenses “trabalhar para mostrar aos parceiros internacionais que o país merece mais ajuda”.

    “Se nos puderem dar mais, nós aceitamos, sobretudo se for ajuda pública para o desenvolvimento, que não onera o tesouro público”, salientou o chefe do governo da Guiné-Bissau.

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