Banca

Garantias aos bancos aumentam risco da dívida portuguesa


 

Lusa/AOonline   Economia   16 de Out de 2008, 16:08

A garantia governamental aos bancos portugueses aumenta o risco da dívida portuguesa, admitiu a Moody's, mas não o suficiente para alterar o 'rating', porque o risco é calculado, temporário e podia ser maior sem a garantia.
"A garantia disponibilizada pelo Governo português às instituições de crédito aumenta potencialmente a exposição financeira do Governo, uma vez que implica a transferência de risco de crédito dos bancos para o balanço do Governo", disse à Lusa fonte oficial da agência de notação financeira Moody's.

    No entanto, esse risco assumido pelo Executivo é "limitado" porque no máximo o Estado gastará 20 mil milhões de euros mas ficará sempre com uma parte dos activos dos bancos, segundo a Moody's.

    A Moody's manteve o "rating" da dívida da República portuguesa, decisão semelhante à da Standard & Poor's, outra agência de notação.

    Trevor Cullinan, analista da Standard & Poor's, disse à agência Lusa que a garantia bancária será "uma medida temporária" e que está ainda a ser discutida.

    Além disso, caso venha a ser necessário exercê-la, o Tesouro emitirá dívida, a qual será posteriormente paga por comissões ou por outros instrumentos, afirmou Trevor Cullinan, relativizando o risco da garantia.

    A Moody's considera ainda que o risco do Estado com essa garantia deve ser pesado à luz de um cenário alternativo, em que o Estado nada fizesse para ajudar o sistema bancário.

    Sobre essa última hipótese, a Moody's diz ter feito um estudo recente em que conclui que os governos como o português que anunciaram dar este tipo de ajudas às instituições de crédito estão a assumir "riscos calculados".

    A ausência dessa ajuda "poderia enfraquecer mais duradouramente as economias desses países" e não deteriora o "rating", pois o aumento do risco em causa não o justifica, considera o estudo da Moody's .

    Para Trevor Cullinan, "a dimensão e os custos potenciais das ajudas dadas pelos vários governos [ao sistema financeiro] podem acabar por ultrapassar os valores anunciados".

    A Alemanha anunciou ajudas de quase 490 mil milhões de euros e a França de 360 mil milhões de euros.

    A garantia dada pelo Governo português, que vai hoje a votos na Assembleia da República e regulamentada até ao final da semana, deve servir para o Estado assegurar, em caso de dificuldades das instituições de crédito, emissões de instrumentos financeiros de dívidas como as obrigações e o papel comercial quando estas atingirem a sua maturidade.

    A garantia não servirá para assegurar os empréstimos que os bancos portugueses fazem junto de outros no mercado interbancário.

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