Ganhar asas e voar com ninhos de empresas

Ganhar asas e voar com ninhos de empresas

 

Olímpia Granada   Regional   28 de Nov de 2008, 22:58

O empreendedorismo na maior ilha açoriana, São Miguel, e em particular o de iniciativa jovem, tendo a inovação por mais-valia, é apoiado pela Câmara de Comércio e Indústria e pela Câmara Municipal de Ponta Delgada.
"Dar uma oportunidade". Esta é a frase que resume o espírito dos ninhos de empresas e que é dita pelo presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), Costa Martins. A quem? "Àqueles jovens que têm uma ideia e que têm um projecto inovador e que muitas vezes não têm a certeza se ele vai resultar ou não no mercado", responde.
Actualmente, criar um empresa no papel, por assim dizer, até já nem é tão complicado – ou burocrático -, mas as leis de mercado, essas, continuam "duras". Pôr em funcionamento toda a máquina organizativa, desde o espaço físico à compra de equipamento, pode tornar-se um processo impeditivo da concretização de uma boa ideia.

Principalmente, explica Costa Martins, para "um jovem que tenha acabado o curso, que queira ‘começar’, e que ainda não tem muitos créditos para chegar ao banco e dizer: ‘- Olhe, eu queria fazer isto!’. E, caso não tenha suporte financeiro facultado pela família, é complicado", reconhece o "patrão dos patrões". Assim, acrescenta, desde que os jovens tenham "ideias, boas ideias e inovadoras, resolvemos apostar". Actualmente, encontram-se sete empresas no Espaço de Desenvolvimento Empresarial e Tecnológico (EDET) da CCIPD, todas elas dedicadas a áreas de negócio de base tecnológica ou dedicadas a um serviço inovador no mercado regional, desde sistemas de informação e novas tecnologias até a uma empresa de tradução, uma de promoção de eventos e, ainda, outra de arquivos. Questionado sobre se a inovação é uma mais-valia decisiva, diz que é "aquela que precisa de ser mais apoiada, porque hoje os sistemas de incentivos que existem para um jovem, desde que seja um bom projecto, podem chegar até 75 por cento do investimento". Ora, acrescenta, um montante de apoio dessa dimensão é "fabuloso, não há em mais lado nenhum do País e não acredito que haja muitos sítios do mundo que tenham um sistema de apoio aos incentivos tão completo como na Região!" De resto, recorda, os Açores foram "pioneiros nesta área", existindo "um conjunto de entidades que apoiam o empreendedorismo, desde a Direcção Regional de Apoio à Coesão Económica, à Direcção Regional de Formação Profissional, à Câmara Municipal de Ponta Delgada", pelo que Costa Martins defende que, para além da avaliação da viabilidade económico-financeira, a óptica da CCIPD seja outra, seja complementar: "Em vez de estar a colocar mais uma empresa, vamos mas é buscar oportunidades de negócio que desenvolvam o tecido económico sob o ponto de vista das ramificações e dos vários sectores".

O contrato feito com as empresas há dois anos está agora a chegar ao fim e a CCIPD abre ainda em 2008 um novo concurso para alojar novos projectos no ano seguinte. O acordo isenta as novas empresas de custos iniciais (têm o espaço físico, computador, telefone, etc., gratuitamente) e ainda podem recorrer aos serviços da Câmara de Comércio no apoio económico-financeiro. "Acredito que, agora que está acabar, vão-se manter no mercado", diz Costa Martins, que confirma também a intenção de estender este ninho de empresas a Santa Maria.

"Queremos montar um espaço para uma ou duas empresas. Até agora não pudemos concretizar isso, mas se houver alguma intenção por parte de algum jovem de Santa Maria para ‘arrancar’ com um negócio e precise de ajuda, mesmo em termos precários temos a intenção de o alojar desde já".

Esta pode ainda ser uma forma de evitar que saiam da Região jovens potencialmente empreendedores. Costa Martins faz notar igualmente que "já não há empregos para toda a vida, há cada vez mais jovens a sair da universidade e os empregos disponibilizados na Região são limitados", até porque, considera o presidente da CCIPD, as "empresas são pequenas, normalmente de natureza familiar" e "não têm uma grande apetência por introduzir nos seus quadros jovens por vezes com mais habilitações do que as dos seus próprios donos...".

"Isto é complicado, mas muitas das vezes é o que se passa e pensamos que é preciso dar uma oportunidade aos jovens que não encontram soluções no mercado de trabalhou ou que querem eles próprios ser empreendedores e iniciarem-se no mundo duro e cruel que é o mercado, ajudá-los a passar a fase inicial", defende Costa Martins, que recorda a propósito as palavras de Belmiro de Azevedo sobre os primeiros três anos da vida de uma empresa, "o vale dos caídos".

Ninho de Empresas municipal
"A Incubadora de Ideias" ou "Ninho de Empresas" é uma iniciativa do Azores Park, desenvolvida com apoio do Tagusparque, que visa também ela, desde Junho de 2008, dinamizar o empreendedorismo. O objectivo principal, aqui, é promover a inovação na criação de novas empresas, através da aposta sustentada no capital intelectual de potenciais empreendedores, contribuindo desta forma para o desenvolvimento geral da economia pelo crescimento do tecido empresarial, bem como para o crescimento do empreendedorismo como motor de geração de emprego sem que seja, preferencialmente, direccionado para jovens.

No parque criado pela Câmara Municipal de Ponta Delgada, é colocado à disposição do empreendedor um local físico e, de forma gratuita, a todos os potenciais empresários inscritos e seleccionados, uma acção de formação de 20 horas sobre empreendedorismo e gestão de empresas, desenvolvida em parceria com o núcleo de Economia da Universidade dos Açores. A presidente da Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral, disse a propósito que esta formação intensiva passa por várias áreas, desde as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), ao Direito de Empresa, Contabilidade, Marketing, Gestão de Recursos Humanos, entre outros. Para aqueles que apresentem os melhores e mais inovadores projectos empresariais são disponibilizadas, com um custo mensal simbólico, instalações já mobiladas, com apoio de secretariado e consumos de água e electricidade incluídos, integradas no ninho de empresas, para aí fundarem e instalarem a sua empresa, desde a fase da sua constituição até uma situação em que já tenham um volume de negócio sustentável. Este período de permanência (com capacidade para oito empresas) é estimado em seis meses, podendo ser renovável por idêntico período.

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