Fumadores consomem em média 28 anos


 

Lusa/AO On line   Nacional   16 de Nov de 2009, 05:22

Os portugueses começam a fumar, em média, aos dezassete anos e terminam aos quarenta, um vício que permanece durante 28 anos e aumenta a prevalência da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), revela um estudo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

O estudo "Prevalência de obstrução numa população exposta ao fumo do tabaco - Projecto PNEUMOBIL", que decorreu entre Maio de 2007 e Maio de 2008, envolveu 5324 fumadores e ex-fumadores em Portugal continental e teve como objectivo avaliar a prevalência dos sintomas respiratórios, nomeadamente da DPOC, cujo dia mundial se comemora quarta-feira.

No conjunto dos inquiridos - a quem foi realizada uma espirometria (exame médico que permite verificar se existe obstrução ao fluxo de ar) - a mediana da idade em que termina a exposição tabágica são os 48 anos nos homens e os 45 nas mulheres.

Em média, actualmente, cada fumador consome 18 cigarros por dia. No entanto, a média ao longo de toda a vida de exposição ao tabaco é de 22 cigarros diários, refere o estudo, a que a agência Lusa teve acesso.

A coordenadora do estudo, Cristina Bárbara, disse à Lusa que “uma elevada percentagem de fumadores e ex-fumadores com mais de 40 anos têm sintomas respiratórios e apresentam alterações na sua função respiratória”.

Para a pneumologista, é preocupante a idade média de iniciação tabágica (17 anos) porque acontece numa fase da vida em que o pulmão ainda está a crescer, não tendo atingido ainda a função respiratória máxima.

Estes dados indicam que têm de ser criadas “mensagens apelativas para a população mais jovem no sentido de ela não iniciar o hábito de fumar”, salientou.

Outro “dado assustador” foi ter-se detectado em cerca de 25 por cento dos inquiridos obstrução brônquica e, destes, 95 por cento desconhecerem que tinham a doença.

“A doença, apesar de ter alguns sintomas, como a tosse e a expectoração, tem um percurso silencioso para o doente e para o médico”, disse Cristina Bárbara, considerando que “há um insuficiente diagnóstico” da doença. Segundo o estudo, menos de um por cento dos inquiridos referiam ser doentes.

A médica alertou que a DPOC é uma “doença incapacitante que urge um diagnóstico precoce, de modo a atrasar o declínio da função respiratória, as limitações na actividade profissional e a melhoria da qualidade de vida”.

Em mais de 80 por cento dos casos, é o médico de família que assegura o acompanhamento do doente, refere o estudo, acrescentando que cerca de metade dos inquiridos ainda mantém hábitos tabágicos.

Em Portugal, a DPOC atinge cerca de 10 por cento da população, sendo actualmente a quarta principal causa de morte na Europa.

 


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