Caso Dragutinovic

FPF cria fundo de fair-play com parte dos salários de Scolari

 FPF cria fundo de fair-play com parte dos salários de Scolari

 

Lusa / AO online   Futebol   19 de Out de 2007, 17:46

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) advertiu o seleccionador de Portugal pelo "erro grave" do incidente com o defesa sérvio Dragutinovic e vai criar um fundo de promoção do "fair-play" com 35 mil euros dos salários de Scolari.
"O gesto irreflectido do Sr. Scolari, ainda que instintivo e com as atenuantes que se conhecem, foi um erro grave e não devia ter acontecido, já que envolve a sua imagem e a da federação", afirmou o presidente da FPF, Gilberto Madaíl, que interrompeu a reunião de Direcção, na sede do organismo, para anunciar o resultado do inquérito interno.

Madaíl anunciou que a decisão de "advertir o seleccionador nacional para que actos destes não se repitam" foi "unânime", tal como "a afectação de parte dos vencimentos" do técnico brasileiro para a criação de um fundo de promoção do desportivismo.

O fundo visa acções de formação, campanhas promocionais e a atribuição de um prémio anual de fair-play para agentes de futebol que se distingam nesse âmbito (jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes).

Anualmente, percentagens ainda por definir do orçamento da FPF e dos rendimentos das multas aplicadas pelos pelo Conselho de Justiça e pelo Conselho de Disciplina do organismo vão também contribuir para o referido fundo.

O futuro fundo de promoção do "fair-play" estará também aberto a patrocínios e parcerias de entidades privadas que queiram contribuir e será gerido por uma Comissão de Ética independente, formada, tendencialmente, por grandes figuras do desporto, mas também de outras áreas da sociedade civil.

"Com esta iniciativa, queremos transmitir a nossa posição de desagrado com a situação. Se for necessário, no futuro, podemos ir mais além", continuou Madaíl, justificando a opção por já haver uma sanção desportiva da União Europeia de Futebol (UEFA) e revelando que Scolari "já sabia que ia haver uma tomada de posição da federação, desde o dia seguinte aos acontecimentos".

A medida surge 36 dias depois de Scolari se ter envolvido com o defesa Dragutinovic, no final do encontro de qualificação para o Euro2008 entre Portugal e a Sérvia (1-1), no Estádio José Alvalade, em Lisboa, tempo que Madaíl considerou ser o necessário para não haver "precipitações" e para analisar o inquérito interno e ouvir os seus parceiros de Direcção.

A Comissão de Controlo e Disciplina da UEFA suspendera Scolari por quatro encontros, mas o campeão do Mundo pelo Brasil em 2002 recorreu da decisão, com o apoio da FPF, alegando que apenas respondeu a agressões verbais e físicas do adversário, vendo o castigo atenuado.

Há duas semanas, a Comissão de Recurso decidiu suspender Scolari por três meses, o último dos quais com pena suspensa por dois anos, mantendo a multa de cerca de 12.000 euros, o que permite ao técnico desempenhar funções no derradeiro encontro da qualificação para o Euro2008, uma recepção à Finlândia, no Estádio do Dragão, a 21 de Novembro.

Flávio Teixeira "Murtosa", um dos adjuntos de Scolari, substituiu o chefe-de-equipa nas visitas vitoriosas ao Azerbaijão (2-0) e ao Cazaquistão (2-1), tal como irá acontecer na recepção à Arménia, marcada para 17 de Novembro, em Leiria.

Entretanto, O advogado italiano Gianpaolo Monteneri e Scolari esperam ainda a fundamentação da Comissão de Recursos da UEFA, que não tem prazo para a enviar, para decidirem sobre um eventual recurso para a última instância possível, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), em Lausana, dispondo de três dias para fazê-lo, a partir da recepção dos documentos.
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