O Marítimo sagrou-se campeão da II Liga e garantiu a subida ao principal escalão do futebol português. Que sentimento lhe traz o facto de ter contribuído para estas duas conquistas?
Um sentimento de felicidade, como é óbvio. Foi uma subida fantástica, no sentido em que foi o culminar de uma época muito exigente, mas com um grupo fantástico, com um espírito fantástico, conseguimos obter esse resultado final de ser campeão. Por isso, é um sentimento extraordinário e de muita felicidade.
Esta foi a sua terceira subida à I Liga, primeiro Paços de Ferreira, depois Santa Clara e agora Marítimo. Qual delas teve mais significado para si e de que forma cada experiência contribuiu para a sua evolução enquanto jogador?
Todas elas foram especiais, como é óbvio. A primeira por ser a primeira e por ser o devolver de um clube com história à I Liga. O Santa Clara por ser o clube onde eu fiz a minha formação e de entregar-lhe de novo ao patamar mais alto do futebol português foi um momento muito especial. Depois de numa época transata onde tínhamos descido e na época a seguir voltado à I Liga, foi um momento extraordinário. E, obviamente, agora com o Marítimo, teve um sabor muito especial por devolver um clube dessa dimensão ao patamar mais alto do futebol português. E sem dúvida que isso está a ser muito especial.
Qual foi o principal fator diferenciador do Marítimo nesta época comparativamente às restantes equipas do campeonato que permitiu alcançar tanto a subida como o título?
Acho que foi mesmo o caráter do grupo, as ligações que criamos entre nós. Era um grupo muito forte e que, no seu dia-a-dia, a prioridade era sempre treinar ao máximo para depois chegar ao fim de semana e irmos em busca dos três pontos. Essa era a nossa mentalidade, é a nossa mentalidade. Não digo que nos favoreceu, mas o mais impactante foi a coesão do grupo.
Ao longo da época, que principais dificuldades sentiu, tanto a nível individual, como coletivo, e de que forma essas adversidades ajudaram a fortalecer a equipa na caminhada até ao título?
Acho que fomos sempre à procura da solução. Onde havia problema, nós íamos logo em busca da solução. Acho que foi muito isso. Não procurávamos a desculpa. Estávamos sempre prontos para dar a volta por cima e, como grupo, aprender. Acho que isso foi fundamental para passar essas adversidades porque todos nós passamos por momentos, enquanto equipa, há períodos que passamos menos bem. Acho que foi mesmo isso que nos fez dar a volta por cima. Era procurar sempre a solução para dar a volta por cima.
Numa nota mais pessoal, como foi a sua adaptação à ilha da Madeira e como está a ser a experiência depois de ter estado na Polónia na época passada?
Desde o início que me sinto em casa praticamente. Têm-me acolhido muito bem aqui. Só tenho a dizer bem. As pessoas reconhecem aquilo que nós fazemos, porque ainda estamos no decorrer da época, reconhecem o nosso esforço e que damos tudo para que as coisas corram da melhor forma. Individualmente sinto-me muito bem, muito feliz aqui. Sinto-me em casa.
Na próxima época vai encontrar o Santa Clara na I Liga, clube onde também já foi feliz, onde fez a sua formação e onde já conquistou um título da II Liga e uma subida ao primeiro escalão. O que é que este reencontro significa para si?
Obviamente não posso esconder que é especial. Primeiro, também quero pensar que ainda faltam jogos. Para lhe ser sincero, ainda não pensei muito nisso. Respondendo à sua pergunta, é sempre muito especial. Como lhe disse há pouco, foi um clube que, a contar com a formação, estive 12 anos, que me formou, que só estou aqui porque foi o Santa Clara que me deu essa oportunidade. Só posso ser grato por isso. Obviamente que vai ser especial. Mas lá está, nós somos profissionais. É com estas cores que estou comprometido, digamos assim, e muito feliz aqui. Lá para a frente vemos como é que vai ser. Mas obviamente que as emoções vão ser altas por isso mesmo. É o clube que me formou.Mas agora estou do outro lado, num clube que me sinto em casa, que é a minha casa agora. E sou muito feliz aqui.
Tem contrato com o Marítimo até 2027. Agora, olhando para o futuro e se houver oportunidade, equaciona regressar aos Açores e representar novamente as “cores” do Santa Clara?
Não penso muito no meu futuro. Agora estou aqui no Marítimo e é onde quero estar e é onde me sinto feliz. Mas no futebol tudo acontece, é a nossa vida profissional. Mas, para lhe ser sincero, não penso nisso neste momento.
Quer passar alguma mensagem aos jovens açorianos que também um dia tenham o sonho de chegar ao principal patamar do futebol português?
A mensagem é clara: acreditem sempre que é possível. Que continuem a trabalhar e que consigam lidar bem, muitas vezes, com o não. Acho que nós não sabemos de tudo e às vezes temos que reconhecer que os outros não são melhores que nós em termos de qualidade, mas se calhar são mais competitivos e às vezes demora algum tempo para nos tornarmos tão competitivos quanto eles.
A formação açoriana, para elevar o seu patamar, tem que ter níveis competitivos mais elevados e às vezes o jogador açoriano acomoda-se ou fica logo chateado por não ser a primeira opção e acaba por, mentalmente, ir abaixo. E acho que esse não é o caminho. Temos que esperar pela nossa oportunidade, acreditar sempre que vai dar. E às vezes o tempo é amigo. Portanto, é essa a mensagem mesmo. É ter paciência, acreditar sempre e trabalhar com o máximo de foco para chegar a um patamar profissional.
