Federação dos trabalhadores portuários demarca-se de confrontos de estivadores

Federação dos trabalhadores portuários demarca-se de confrontos de estivadores

 

Lusa/AO online   Nacional   13 de Nov de 2012, 18:18

A Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários demarcou-se esta terça-feira da agitação provocada por estivadores em Lisboa, lamentando um extremar de posições e apelando ao diálogo entre o setor e o Governo.

 

"Não temos rigorosamente nada a ver com isso", disse à agência Lusa Fernando Moreira, responsável da federação, no dia em que dois homens foram detidos no Parque das Nações, em Lisboa, no âmbito de um protesto de estivadores, por crimes de resistência e coação a autoridades.

De acordo com fonte policial contactada pela Lusa, por volta das 08:15, uma equipa de patrulhamento da PSP deparou-se com cerca de cinquenta pessoas concentradas em frente ao Hotel Tivoli, no Parque das Nações.

"Deve sempre haver diálogo e não se deve voltar as costas e ser radical nestas situações. As pessoas e posições extremaram-se. Não se sabe qual vai ser o desfecho desta situação", considerou Fernando Moreira.

O Governo vai esperar até quarta-feira, véspera de um novo período de greve dos estivadores, por um acordo que diminua o impacto da paralisação para a economia, adiando para então o estudo de "alternativas".

"O dia de hoje não nos trouxe a notícia de um acordo entre os operadores e os sindicatos, mas ainda não esgotamos a via negocial. E é nessa via que apostamos para encontrar uma solução que minimize o impacto deste pré-aviso de greve para 15 a 27 novembro", afirmou o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, à margem do encontro "Transportes, Competitividade e Futuro", a decorrer em Lisboa.

Em declarações aos jornalistas, o governante afirmou que o objetivo é que "houvesse acordo" antes do início da greve, que começa na próxima quinta-feira, admitindo que então a situação será avaliada.

"A greve começa dia 15 e gostávamos que houvesse acordo antes disso, ou seja até 14. Se assim não for, teremos que verificar todas as alternativas no âmbito legal de forma que o impacto para a economia seja minimizado", declarou.

Questionado sobre a possibilidade do Governo recorrer à requisição, Sérgio Monteiro afirmou que "não está nem fora nem dentro de questão".

Sobre a subida de tom dos protestos dos estivadores, o governante considerou que é importante não confundir "a posição de fações mais bélicas com os trabalhadores portuários que são um ativo muito importante para o país".

Sérgio Monteiro questionou "o que de tão grave tem a proposta de lei que mereceu a adesão de mais de 60% dos trabalhadores. A proposta não pode ser tão desequilibrada como podem fazer crer".

Os estivadores apresentaram um novo pré-aviso de greve que estenderá as paralisações de 15 a 27 de novembro, que irão afetar os portos de Lisboa, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz, disse o presidente do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal, Vítor Dias.

Esta onda de greves (iniciada a 17 de setembro) foi motivada pelo facto do Governo ter aprovado a 13 de setembro uma proposta de lei relativa ao regime do trabalho portuário, uma semana depois de ter chegado a acordo com alguns sindicatos, afetos à UGT, e operadores portuários, com o objetivo de aumentar a competitividade dos portos nacionais.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.