Familiares dos feridos atribuem acidente com autocarro a excesso de velocidade


 

Lusa / AO online   Nacional   18 de Out de 2009, 13:50

Familiares dos elementos do Orfeão de Águeda que sábado ficaram feridos no despiste de um autocarro declaram que as pessoas envolvidas no acidente ainda estão em estado de choque, mas atribuem o sucedido a excesso de velocidade.

Mário Martins, que está hoje no Hospital S. Sebastião para visitar a sua mulher Rosa, que canta no Orfeão e ainda está internada, demonstra alguma revolta ao dizer: “Não há dúvida que foi por excesso de velocidade. O motorista lá adormeceu e não soube segurar o autocarro, mas, naquela curva, não pode ter sido por outra coisa.”

“A gente tenta não culpar ninguém”, continua, “mas não tem jeito nenhum estas empresas [de transportes] não trabalharem com pessoas responsáveis que cumpram as regras de trânsito. Como não têm pessoal efectivo, contratam motoristas para cada serviço e depois eles não têm prática nem conhecimento do veículo que estão a conduzir”.

Mário sai apressado da conversa quando o segurança do hospital de Santa Maria da Feira lhe faz sinal de que começara o horário das visitas, mas a sua filha, Sílvia Martins, conclui o raciocínio: “As pessoas que iam no autocarro dizem que o motorista não conhecia bem o trajecto e ia sempre com o GPS ligado, o que não deve ter ajudado nada”.

Rita, a outra filha de Rosa Martins, considera que “as pessoas ainda estão em estado de choque e só daqui a algum tempo é que vão começar a aperceber-se do que realmente aconteceu”.

“Os [acidentados] que já foram para casa dizem que foi tudo muito rápido e a maioria não se lembra do momento em que o autocarro virou”, revela. “Só se lembram do resto, quando os que estavam bem saíram para a estrada e começaram a ajudar os outros e a tirá-los cá para fora, com medo de que acontecesse mais alguma coisa ao autocarro”.

“Os bombeiros chegaram muito depressa”, realça Sílvia, “e aqui no hospital também conseguiram lidar muito bem com o caos. [Os feridos] tiveram muita sorte em vir para cá”.

Conscientes de que a mãe está em situação estável, mas confessando que “sossego só há quando ela estiver em casa”, as duas irmãs lamentam a morte de Ana Paula Silva, que, sendo uma das dirigentes do Órfeão de Águeda, ocupava um dos lugares da frente do autocarro, “logo atrás do condutor”.

“Era uma pessoa espectacular e ia muito bem-disposta”, conta Rita. “Tinha três filhos, era filha do director da [empresa de faróis] SIM e as pessoas em Águeda ficaram todas com muita pena pelo que lhe aconteceu”.

Rita conta que o desânimo é particularmente evidente entre os elementos do Orfeão: “Aquilo é um coro amador e as pessoas andam lá por carolice, porque gostam de cantar e divertem-se com isso. O ambiente de um evento destes, em que há uma saída para actuarem fora, era sempre muito bom e, só por aí, já dá para ver como eles estão agora”.

Para as duas filhas de Rosa Martins, o acidente de sábado deveria ser, no entanto, a única memória má destes dias. Rita dá a explicação: “A Comunicação Social começou logo a falar do outro acidente com um autocarro em que também morreram muitas pessoas de Águeda, em 1997, e, ao relacionar uma coisa com a outra, não ajudou ninguém”.


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