Doença da "Lingua Azul" pode ser calamitosa

Doença da "Lingua Azul" pode ser calamitosa

 

Lusa/ AO online   Nacional   4 de Out de 2007, 12:45

O presidente da Câmara de Alcoutim considera que a falta de apoio financeiro do Ministério da Agricultura aos produtores em cujas explorações foi detectada a doença da Língua Azul pode conduzir a uma "calamidade".
      A doença está a alastrar em pelo menos três explorações pecuárias do Algarve, duas em Alcoutim e outra em Castro Marim, tendo em todo o país matado já mais de uma centena de animais.

    "Caso não haja uma rápida intervenção do Governo, a doença poderá levar a um grave problema social na medida em que estará em causa a sobrevivência económica de muitas famílias", disse Francisco Amaral em comunicado.

    De acordo com o autarca, existem no concelho cerca de 15 mil ovinos, o que compreende 200 pequenos criadores que têm na pecuária o seu único meio de subsistência e se a doença se propagar ao resto do concelho será "uma calamidade".

    O presidente da Câmara de Alcoutim pede por isso ao ministério que atribua compensações financeiras aos produtores pecuários afectados, à semelhança do que está a acontecer na região da Andaluzia, em Espanha.

    O director de serviços veterinários do Algarve confirmou quarta-feira à Lusa que foram detectados animais com a doença da Língua Azul em três explorações pecuárias do Algarve, duas no concelho de Alcoutim e outra no de Castro Marim.

    A doença da Língua Azul, que começou por ser detectada há duas semanas em Barrancos, já matou pelo menos 121 animais em Portugal.

    Na quarta-feira, o Ministério da Agricultura anunciou que 60 explorações pecuárias do Baixo Alentejo e Algarve estão sob suspeita.

    Até ao meio-dia de hoje, indica uma nota daquele departamento governamental, há registos de 513 animais afectados pela doença, enquanto outros 269 já morreram com a infecção.

    Um novo serótipo da doença, para o qual não existe ainda qualquer vacina, foi detectada em Julho, em Espanha, e em Setembro em Portugal.

    O Governo prevê ter uma vacina para a doença até ao final deste mês.

    A Língua Azul é uma doença viral infecciosa que atinge os ovinos e outros ruminantes domésticos e selvagens, mas não se transmite ao homem e "não apresenta qualquer impacto para a saúde pública, refere a nota do Ministério da Agricultura.

    As medidas entretanto impostas para impedir a propagação do vírus passam pela restrição à circulação dos animais e controle de insectos nos animais e nas viaturas de transporte, entre outras.

    Na Europa, até Setembro, foram detectados 4.772 focos da doença de diferentes serótipos em países como o Reino unido, Bélgica, Alemanha, Espanha, França, Itália, Luxemburgo, Holanda e Portugal.
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