Deficientes do Pico sem apoio de terapeutas ocupacionais


 

Carmo Rodeia   Regional   12 de Dez de 2008, 10:15

A criação de um centro de apoio psicossocial e a construção de um lar residencial para pessoas portadoras de deficiência são os grandes desafios do núcleo do Pico da Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras.
Mas a reivindicação imediata é a chegada de terapeutas ocupacionais para proceder ao acompanhamento das pessoas portadoras de deficiência.
“A falta destes profissionais na ilha representa uma enorme sobrecarga para os fisioterapeutas que estão a despender energias em áreas que não são as suas”, garantiu ao Açoriano Oriental Salomé Gomes, presidente da Direcção do núcleo do Pico da Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras.
Criado em 2005 e com capacidade de intervenção regional (embora neste momento a acção seja efectivamente desenvolvida nas ilhas do Grupo Central),  o núcleo  tem disponibilizado ajuda técnica a portadores de variadas doenças, facilitando o acesso a equipamentos físicos indispensáveis para a manutenção de alguma qualidade de vida destes doentes. Uma cadeira de rodas eléctrica, uma cama eléctrica, uma cadeira anfíbia ou aparelhos psicomotores são alguns dos equipamentos que a associação tem vindo a adquirir, quer para os seus associados, quer para os utentes  de instituições com quem  celebrou protocolos de cooperação, como é o caso da Santa Casa da Misericórdia da Madalena. Neste caso, a ajuda traduziu-se na aquisição de uma cadeira anfíbia que permitiu a todos os deficientes acolhidos pela Santa Casa a possibilidade  de este ano tomarem  um banho de mar, “alguns deles pela primeira vez”.
A associação nos Açores extravasa um pouco a sua vocação, porque “em ilhas pequenas há doenças que não sendo catalogadas de raras afectam um número reduzido de pessoas que não têm outra resposta senão neste tipo de associações”, diz Salomé Gomes, que aguarda “mais apoio” oficial. Com apenas 73 associados, “muitos deles não portadores de qualquer deficiência mas que querem ajudar”,  esta associação vive como muitas outras: as quotas dos sócios e as acções para angariação de fundos são as únicas fontes de receita.
Há uma semana, a Associação recebeu o seu segundo apoio “mais ou menos oficial”. O Banif distinguiu-a com um apoio financeiro, que se juntou a um outro obtido junto do Instituto de Acção Social,  que permitiu a aquisição de uma cadeira de rodas eléctrica.
A Associação espera obter luz verde do executivo regional para a criação do primeiro Centro de Apoio Psicossocial, por forma a poder abrir um ATL para acolher diariamente os seus utentes e dar-lhes o acompanhamento técnico de que necessitam.
O projecto está em fase de elaboração. Até estar concluído,  a Associação vai dando resposta como pode.  Sempre que solicitada,  disponibiliza através da rede nacional informações técnicas ou apoio para o diagnóstico, ou até tratamento de várias patologias.
“Neste campo estamos ainda com alguns problemas, pois acreditamos que temos muito mais gente portadora de deficiência do que aquela que está efectivamente sinalizada por nós”, adianta Salomé Gomes.
Aliás, a própria associação está a fazer um levantamento “no terreno” porque, entre bebés, crianças, jovens e adultos, estima-se que existam “cerca de 100 pessoas” portadoras de deficiência, só na ilha do Pico.
Entre as deficiência mais comuns estão a doença de Machado-Joseph, a paralisia cerebral, a trissomia 21 ou “situações de atraso mental”.

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