Sociedade

Crianças que chegam à Casa Pia são cada vez mais problemáticas

Crianças que chegam à Casa Pia são cada vez mais problemáticas

 

Lusa/AOonline   Nacional   24 de Nov de 2008, 11:02

A maioria das crianças e jovens que chegam à Casa Pia de Lisboa, internas e externas, são as de fim de linha, quando já quase tudo falhou, disse a presidente do Conselho Directivo, Joaquina Madeira.
São cada vez mais os casos que chegam de crianças problemáticas, disse à Lusa a responsável, nas vésperas da cerimónia oficial de abertura do ano lectivo, que decorre terça-feira.

    Joaquina Madeira explica que este dado tem dois sinais distintos: um positivo e outro negativo.

    Se por um lado este indicador revela que o sistema primário já atende as outras, por outro significa que as problemáticas mudaram, e que deveria haver uma intervenção mais cedo.

    Tendo em conta esta população infantil e juvenil, a Casa Pia está a mudar o seu modelo de acompanhamento, apostando na especialização em determinadas áreas, programas de intervenção ao nível comportamental e ainda de saúde mental.

    "Estamos a procurar soluções mais de acordo com a realidade psicossocial das crianças. O lar pronto-a-vestir não serve para estas crianças, temos de nos adaptar à especificidade delas", frisou.

    Joaquina Madeira explicou que os lares desta via educativa e familiar têm cada vez mais de dar lugar a unidades mais terapêuticas, especializadas.

    Trinta por cento das crianças e jovens da Casa Pia tem de ter acompanhamento de saúde mental.

    Recentemente foi criada uma unidade terapêutica e educativa para jovens muito problemáticos com incapacidade, insucesso escolar e problemas de comportamento graves. É um projecto novo e inovador em Portugal, contou Joaquina Madeira

    A Casa Pia do século XXI, explicou a presidente do Conselho Directivo, é a dos miúdos de fim de linha com problemáticas maiores.

    "Temos os casos mais complexos e de maior sofrimento", frisou.

    Abandono, negligência são algumas das problemáticas que levam à entrega da educação e da tutela das crianças à Casa Pia de Lisboa.

    Quanto aos jovens, a indisciplina, a falta de regras, a pré-delinquência perigosa e alguns pequenos consumos são problemáticas comuns da população atendida pela instituição.

    "Os familiares não são capazes de cuidar, não conseguem porque são muito rebeldes", explicou.

    A idade média dos alunos da Casa Pia é de 13 anos, uma idade crítica, diz Joaquina Madeira.

    Actualmente existem 404 crianças em regime de acolhimento, as chamadas crianças em perigo, das quais 250 estão a viver em residências de acolhimento, 13 em apartamentos de autonomização, 12 em unidades de emergência, quatro em Unidade Terapêutica e Educativa e 125 em acompanhamento para a inserção.

    Sessenta e um por cento destas crianças e jovens em acolhimento são do sexo masculino e 78 por cento com 13 ou mais anos.

    Apenas 22 por cento das crianças tem entre 06 e 12 anos.

    A Casa Pia tem ainda três mil crianças e jovens na área sócio-educativa - frequentam as escolas da instituição, mas vivem com as suas famílias - a maioria destas classificadas como em risco (estão com as famílias mas são acompanhadas pela instituição).

    No conjunto são 3.400 crianças e jovens e 1.300 funcionários, dos quais 600 são professores.

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