Na manhã de domingo, o chão da Rua Dr. Guilherme Poças, em Ponta Delgada, será vestido pelas mãos de vizinhos, depois de ter sido imaginado pela comunidade. O Museu Carlos Machado dá as aparas tingidas e os moldes inspirados na memória do antigo convento, e quem participa só tem de levar boa disposição.
A atividade acontece no âmbito do Projeto Vizinhos, dinamizado pelo Museu Carlos Machado, e convida toda a população a participar na construção de um tapete para a Procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Não é preciso fazer uma inscrição prévia, para fazer parte da iniciativa basta aparecer às 10h00 no Núcleo de Santo André.
O projeto começou a ganhar forma ainda em abril, com uma oficina no âmbito do circuito Memória do Convento, no dia 18 desse mês. Durante a atividade, os participantes conheceram os espaços do antigo convento e foram convidados a desenhar aquilo que mais lhes tinha despertado atenção, como as grades, os padrões arquitetónicos, objetos, detalhes do chão e do teto, elementos decorativos e também perspetivas diferentes dos espaços que visitaram.
Foi a partir desses desenhos que nasceram os moldes que agora vão ser usados para desenhar o tapete. Os padrões não foram pensados por profissionais nem designers, mas sim pela comunidade, inclusive crianças.
“Tudo o que observaram foi transformado em padrões, as grades do convento, os objetos, os espaços, aquilo que lhes chamou mais à atenção”, explicou Sara Azad, responsável pelo Projeto Vizinhos.
A oficina foi pensada para 10 pessoas e quase atingiu o seu limite, sendo que contou com nove participantes. Muitos eram pais acompanhados pelos filhos, o que resultou num ambiente familiar e intergeracional: “Não foram só as crianças a desenhar, os pais também participaram e ajudaram a construir os padrões”, acrescentou Sara Azad.
A responsável conta que a expectativa é que agora alguns desses participantes apareçam no domingo e que ajudem a construir o tapete que resultou dos seus desenhos. Ainda assim, Sara Azad sublinha que a participação é aberta a qualquer pessoa que queira se juntar ao grupo na manhã de domingo.
O material que será usado para dar vida ao tapete é aquele que já é usado tradicionalmente neste tipo de criações. Serão usadas aparas tingidas e a criptoméria que tem a cor verde, além de outras três cores que vão ser usadas para tingir.
Os materiais foram pedidos à Direção Regional das Obras Públicas, uma vez que é a entidade que habitualmente assegura os tapetes daquela rua e de outros espaços da cidade durante as festas, quando não há pessoas a fazê-lo. Sobre a quantidade de aparas, Sara Azad admite que ainda não sabe bem qual será a quantidade, mas confessa que “terá de ser uma boa quantidade, tendo em conta que a rua é grande”.
Ao longo da manhã, a vontade é que à frente do Núcleo de Santo André se forme um ponto de encontro entre vizinhos e visitantes para vestir o chão daquela rua com aparas coloridas, aproximando pessoas e gerações. Além disso, os moldes serem resultado do circuito Memória do Convento reforça também a vontade de aproximar o património histórico às vivências de agora na cidade, o que torna este tapete diferente dos outros.
Este tapete
carrega não só o simbolismo desta época festiva, como também padrões
desenhados pela comunidade depois de uma experiência dentro do convento.
E,
como em tantas iniciativas ao ar livre nos Açores, o maior receio é o
estado do tempo. Sara Azad só espera que “o tempo esteja bom”, mas mesmo
que a chuva apareça afirma que “vamos ter de fazer na mesma”.
No
domingo, a partir das 10 horas, basta aparecer no Núcleo de Santo André,
é ali que os primeiros metros do tapete vão ser construídos com aparas
e moldes, mas também com participação coletiva.
