Constâncio discorda de previsões "pessimistas" do FMI

Constâncio  discorda de previsões "pessimistas" do FMI

 

Lusa/AO online   Economia   16 de Out de 2007, 12:31

O governador do Banco de Portugal considerou hoje "excessivamente pessimistas" as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 1,8 por cento para o crescimento económico em 2008.
      Vítor Constâncio, que falava no encontro com as delegações dos bancos centrais dos PALOP e Timor-Leste, a decorrer em Lisboa, admitiu, no entanto, que ainda subsistem riscos para a economia portuguesa relacionados com as condições nos mercados de crédito.

    "A previsão do FMI é difícil de justificar", defendeu o governador do Banco de Portugal, acrescentando que, "com base na informação disponível, tudo indica que o crescimento será superior àqueles 1,8 por cento".

    Constâncio salientou que a situação "vai depender daquela que for a evolução dos mercados de crédito nos próximos tempos".

    As previsões do Banco de Portugal e, também, do Governo, apontam para um crescimento de 2,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) português no próximo ano.

    Na quinta-feira, o FMI reviu em baixa o crescimento económico previsto para Portugal em 2008, para 1,8 por cento, mas diz que está “finalmente em curso uma recuperação modesta”.

    De acordo com a conclusão da consulta do FMI a Portugal, ao abrigo do Artigo IV, referente a 2007, a economia portuguesa deve crescer este ano e no próximo 1,8 por cento, valor que corresponde a uma revisão em baixa face aos 2,1 por cento antecipados nas previsões de Abril para 2008.

    Vítor Constâncio alerta que, sendo Portugal um "país pequeno sofrerá consequências do que acontecer nos restantes".

    O governador do Banco de Portugal chamou ainda a atenção para que, apesar de, "nada apontar" para cenários recessivos nos EUA ou Europa, as condições de acesso ao crédito vão sofrer "aperto".

    Estas "condições mais restritivas" no crédito bancário serão sentidas sobretudo pelas Pequenas e Médias Empresas (PME) e menos no crédito à habitação e consumo, previu Vítor Constâncio.

    Mais imprevisível, afirmou, será a evolução das taxas de juro, que têm vindo a estabilizar-se, mas se mantêm altas em comparação com os valores registados nos últimos anos.

    Vítor Constâncio evocou ainda os dados mais recente da agência de dotação de crédito Fitch Rating que coloca a estabilidade e robustez do sector financeiro e da supervisão bancária em Portugal ao nível do registado em países como a França ou a Bélgica.

    Chamou ainda a atenção para as mudanças em curso na estrutura produtiva da economia portuguesa.

    Estas, adiantou, resultam numa "alteração significativa nas exportações" com os bens de maior incorporação tecnológica e os serviços a ganharem peso face aos produtos tradicionais, como o vestuário.

    Finalmente, o governador do Banco de Portugal sublinhou que o principal desafio à economia é voltar à convergência com os restantes países da União Europeia, "sem metas irrealistas e com determinação, rigor e capacidade".
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