O presidente do conselho de administração do grupo SATA, Tiago Santos, revelou ontem que o concurso para a venda da Azores Airlines deverá ser lançado ainda durante o mês de maio.
“Neste momento, a visão é que o concurso seja lançado ainda em maio. Ambicionamos que no final do ano tenhamos um escolhido para o processo de privatização, portanto o potencial acionista futuro da Azores Airlines”, revelou Tiago Santos durante a audição na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos Açores, onde abordou o processo de privatização da Azores Airlines.
De acordo com o responsável, a meta é ter o processo de escolha do novo acionista concluído até dezembro, no entanto, ressalva que o cumprimento rigoroso deste prazo depende um da eventual necessidade de uma terceira fase de negociação para otimizar propostas e da gestão dos prazos de entrega durante o período de férias de verão, para não desincentivar investidores internacionais.
Acrescentou ainda que o novo caderno de encargos manterá obrigações mínimas, mas de forma mais pragmática, para não inviabilizar o sucesso da operação.
“Paralelamente, mantêm-se obrigações estruturantes de proteção do interesse regional, nomeadamente ao nível da sede e da direção efetiva, dos direitos dos trabalhadores, da manutenção de rotas estratégicas e da preservação do certificado de operador aéreo”, explicou, realçando que na definição destas condições, “quanto mais nos aproximamos do mínimo legal, mais aumentamos a probabilidade de sucesso do processo”, enquanto exigências que se afastem excessivamente desse patamar reduzem as hipóteses de atrair investidores.
Neste sentido, o gestor revelou que está a ser feito um levantamento para separar os trabalhadores que prestam serviço efetivo à Azores Airlines dos que trabalham para a SATA Air Açores, com o objetivo de evitar transferir para o privado funcionários que não são o núcleo da operação da Azores Airlines, o que seria um fardo financeiro e um risco para a sua manutenção.
Revelou ainda que a administração procura alcançar acordos com os sindicatos, como o SPAC e o SNPVAC, para aproximar as condições de trabalho aos padrões de mercado, aumentando a produtividade e a atratividade do ativo.
“Ambicionamos chegar a acordo com o SPAC e com o SNPVAC em termos equivalentes àquilo que eles chegaram com o consórcio, para proteção dos trabalhadores e para maximizar a probabilidade de sucesso deste processo. É um serviço que prestamos à Azores Airlines que consigamos fechar um acordo para garantir que entregamos ao futuro investidor um acordo de empresa o mais próximo possível daquilo que é o mercado, permitindo aí sim que haja uma otimização plena dos trabalhadores”, explicou.
Tiago Santos explicou que esta aproximação aos padrões de mercado é fundamental porque qualquer discrepância significativa em relação ao “standard de mercado” seria vista por um potencial investidor como um “problema a resolver”, o que diminuiria a atratividade do ativo. O objetivo destes novos acordos não é a redução de pessoal, mas sim a otimização das escalas e a redução de custos com horas extras e “voos a convite”, alinhando os interesses da empresa com os dos pilotos, que manifestaram vontade de “voar mais”.
Por outro lado, Tiago Santos recomenda que a
venda seja superior a 75%, explicando que isto garante ao investidor uma
maioria qualificada para decisões estratégicas, reduzindo a incerteza
que o limite de 51% causava nos grandes investidores internacionais.
SATA prevê melhoria do EBITDA
O presidente do conselho de administração do grupo SATA, Tiago Santos, confirmou ontem que a empresa antecipa uma melhoria do EBITDA entre 15 a 20 milhões de euros em 2025 em comparação com 2024, aproximando os resultados dos valores registados em 2023.
“O nosso foco é o EBITDA, aquilo que conseguimos controlar. O ano de 2024 foi um ano perdido nesta rota da sua sustentabilidade e em 2025 estamos em linha com o ano de 2023. Conseguimos rapidamente inverter a inclinação e iremos passar de um EBITDA de -700.000 € em dezembro de 2024 para um EBITDA que estará muito próximo dos 20 milhões em dezembro de 2025” afirmou, em declarações na Comissão de Economia.
