Estes números constam do relatório anual de trabalho do Tribunal Supremo, apresentado pelo presidente, Zhang Jun, perante a Assembleia Popular Nacional (APN), o principal órgão legislativo do país, que realiza nestes dias a sua sessão anual em Pequim.
Entre os casos tratados pelos tribunais encontram-se 57 altos funcionários, entre eles Tang Renjian, antigo ministro chinês da Agricultura e Assuntos Rurais (2020-2024), e Luo Baoming, ex-vice-presidente do Comité de Assuntos dos Chineses no Estrangeiro da APN.
Tang foi condenado em setembro a pena de morte com suspensão por dois anos por “aceitar subornos de enorme valor”, enquanto Luo foi condenado em dezembro a 15 anos de prisão pelo mesmo crime.
Também é mencionado Bai Tianhui, antigo executivo do antigo “banco mau” estatal Huarong, que a China executou em dezembro, depois de ter sido condenado à morte em maio de 2024 por aceitar 156 milhões de dólares (135 milhões de euros) em subornos.
O relatório menciona também outras práticas punidas, como as relacionadas com benefícios prometidos para o futuro, participações acionistas previamente acordadas e o fenómeno da “porta giratória” entre o Governo e as empresas.
No que diz respeito a subornos, foram resolvidos 2.724 casos envolvendo 3.235 pessoas, um aumento anual de 10,1%.
Além disso, foram coordenados esforços internacionais para perseguir fugitivos, recuperar ativos e combater a corrupção transfronteiriça, o que permitiu recuperar e confiscar 18,14 mil milhões de yuan (cerca de 2,2 mil milhões de euros) em ganhos ilícitos.
Após chegar ao poder em 2012, o Presidente chinês, Xi Jinping, iniciou uma campanha anticorrupção que já resultou na condenação de dezenas de altos responsáveis por aceitarem subornos milionários.
A campanha tem sido apresentada pelo Governo como um esforço para manter a disciplina interna, embora alguns especialistas alertem que também poderá servir para neutralizar rivais políticos.
