Chega quer acompanhamento do Governo a estudos sobre contaminação nas Lajes

O Chega recomendou ao Governo da República que acompanhe institucionalmente o estudo da Universidade de Coimbra sobre a zona envolvente da Base das Lajes, que aponta níveis elevados de metais pesados em amostras humanas, e o futuro estudo epidemiológico.



Numa nota de imprensa divulgada pelo Chega/Açores, é referido que o grupo parlamentar do partido apresentou uma recomendação ao Governo da República para que acompanhe institucionalmente o estudo científico desenvolvido pela Universidade de Coimbra, bem como o estudo epidemiológico anunciado pelo Governo Regional dos Açores para a zona envolvente da Base das Lajes, na ilha Terceira.

Na recomendação, os deputados defendem que o Governo solicite à Universidade de Coimbra o estudo, a metodologia e as conclusões, que assegure a articulação entre os departamentos governamentais competentes sempre que os resultados o justifiquem e que mantenha a Assembleia da República informada sobre as diligências realizadas.

Para o Chega, toda a informação científica relacionada com os potenciais impactos ambientais e na saúde pública associados à atividade desenvolvida durante décadas na Base das Lajes “deve ser acompanhada”.

A deputada Ana Martins, eleita pelos Açores à Assembleia da República, considera que esse acompanhamento deve ser feito "com rigor, transparência e sentido de responsabilidade por parte do Estado", segundo refere o partido, na nota divulgada.

Embora a organização dos serviços de saúde seja uma competência da Região Autónoma dos Açores, o partido recorda que a Base das Lajes está abrangida pelo Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos da América.

O Chega defende ainda que esta matéria deve ser tratada com “responsabilidade institucional”, baseada “na evidência [prova] científica, assegurando o direito das populações à informação e o acompanhamento permanente de um processo que envolve uma infraestrutura de reconhecida importância estratégica para Portugal”.

Segundo o Expresso, entre 2020 e 2022, os Estados Unidos não realizaram trabalhos para remediar os danos ambientais na zona da Base das Lajes, por entenderem que a contaminação de solos e aquíferos, não é prejudicial à saúde.

Uma investigação noticiada pela agência Lusa em março de 2025 revelou que uma maior concentração de metais pesados foi detetada na população da Praia da Vitória, provavelmente devido à contaminação ambiental da Base das Lajes, segundo a análise de esqueletos humanos.

O armazenamento e manuseamento de combustíveis e outros poluentes pela Força Aérea norte-americana na base provocou no passado a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória.

Identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos, a contaminação foi confirmada em 2009 pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.

Na quinta-feira, durante um debate de urgência solicitado pelo CDS-PP sobre a situação ambiental dos solos e aquíferos da Terceira, no plenário da Assembleia Regional, o vice-presidente do Governo dos Açores, Artur Lima, prometeu continuar a ser “exigente” com a República face à contaminação na área da Base das Lajes pelos Estados Unidos e avisou que a saúde está “acima de qualquer interesse político”.

Já na sexta-feira o parlamento açoriano aprovou uma proposta subscrita por vários partidos para a criação de uma Comissão Técnica Independente, que deverá iniciar as suas funções a 01 de janeiro de 2027, com o objetivo de fiscalizar, acompanhar e avaliar o processo de descontaminação dos solos e aquíferos na Terceira.

A iniciativa, que partiu do deputado único do Bloco de Esquerda, António Lima, foi subscrita pela maioria dos partidos com assento parlamentar (PSD, PS, CDS-PP, PAN e PPM), mas deixou de fora os deputados da Iniciativa Liberal e do Chega, estes últimos por não terem sido convidados a acompanhar o proponente.

José Pacheco, líder parlamentar do Chega, lamentou que o seu partido não tenha sido convidado para subscrever a constituição desta comissão, com a qual o partido concorda, enquanto o deputado único da IL, Nuno Barata, também não subscreveu a proposta, por entender que a iniciativa devia ser acompanhada por todos os partidos, e não excluir ninguém.

O deputado do BE respondeu que só convidou partidos que considera serem “democráticos”, argumento que suscitou o protesto da bancada da Chega, que entende ser inaceitável que um partido acuse outros deputados de não serem democráticos, “quando foram eleitos democraticamente”.

PUB

De um total de 79 jackpots do Euromilhões, registados em Portugal desde 2004, nenhum prémio máximo foi atribuído na região, que em 2025 apostou 46,2 ME em jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa