CCIPD acusa Governo de fazer leitura parcial do turismo

Câmara do Comércio de Ponta Delgada acusou o Governo de apresentar uma leitura “parcial e distorcida” da evolução do turismo nos Açores, na sequência da nota que destacou um aumento de 15% nas receitas turísticas em maio



A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) acusou o Governo Regional de apresentar uma leitura “parcial e distorcida” da evolução do turismo nos Açores, na sequência de uma nota na qual é destacado o aumento de 15% nas receitas turísticas em maio de 2026.

“Os empresários açorianos conhecem bem a situação do turismo e não podem continuar a ser confrontados com análises parciais que ignoram deliberadamente uma parte significativa da informação disponível. O Governo não deve tratar os empresários como se não fossem capazes de interpretar os dados estatísticos, até porque estes fazem contabilidade diária”, afirmam os empresários, em comunicado.

Para a CCIPD, a nota divulgada pelo Governo Regional “assenta exclusivamente no aumento dos proveitos da hotelaria tradicional, omitindo que o Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) não divulga os proveitos do alojamento local”, considerando que “esta omissão impede qualquer conclusão séria e honesta sobre a evolução das receitas do conjunto do setor turístico, que é negativa”.

Os empresários realçam a realidade do alojamento local, referindo que atualmente possui um número de camas superior ao da hotelaria nos Açores, mas registou em maio uma quebra superior a 8% nas dormidas, acompanhada por uma diminuição do número de hóspedes e da taxa de ocupação.

“Ignorar este segmento e apresentar apenas os indicadores favoráveis da hotelaria constitui uma leitura incompleta e distorcida da realidade, que só pode ser propositada”, consideram.

Quanto à hotelaria, realçam que “mesmo admitindo o crescimento dos proveitos apenas da hotelaria tradicional, importa recordar que as empresas enfrentaram, nos últimos anos, aumentos muito expressivos dos custos salariais, resultantes da valorização das remunerações e da escassez de trabalhadores, bem como aumentos significativos dos custos de energia, transportes, bens alimentares, serviços e restantes fatores de produção, que são muito superiores ao aumento das receitas de uma parte do setor. O aumento parcial das receitas, por si só, não demonstra uma melhoria da situação económica das empresas, nem compensa de modo nenhum o forte agravamento dos custos de exploração”.

A CCIPD apresenta números que considera contrariar o tom otimista da nota do executivo regional. “Entre janeiro e maio de 2026, a Região perdeu cerca de 22 000 hóspedes face ao período homólogo. Esta redução representa um impacto económico direto estimado em cerca de 24 milhões de euros e um impacto económico total de aproximadamente 32,5 milhões de euros na economia regional”, revela.

E considera que “menos turistas significam menos consumo no alojamento, na restauração, no comércio, na animação turística, nos transportes, naagricultura, nas pescas e em dezenas de outras atividades económicas, traduzindo-se numa perda efetiva de riqueza para os Açores que não pode ser desvalorizada nem apresentada como um sinal de sucesso”, afirmando que “ignorar esta realidade e procurar apresentar como positiva uma diminuição da procura turística constitui um exercício de comunicação política de mau gosto que em nada ajuda as empresas”.

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