Indústria

Botões portugueses fazem furor na moda

Botões portugueses fazem furor na moda

 

Fernando Zamith, Lusa/AO online   Economia   20 de Ago de 2008, 18:51

Botões feitos em Portugal a partir de papel reciclado, sêmola de batata, milho, marfim-vegetal, algodão, restos de madeira, plantas e frutos estão a ser procurados por estilistas e marcas de moda de todo o Mundo.
Estes botões ecológicos biodegradáveis estão a ser fabricados no Louro, Famalicão, pela Louropel, empresa portuguesa que detêm uma "tecnologia patenteada única no Mundo" e é a maior fabricante mundial de botões.

    "Os norte-americanos gostam muito dos nossos botões ecológicos. Comprámos há quatro anos esta patente em Itália. É um processo de fabrico único", disse o gerente geral da Louropel, Avelino Rego, em entrevista à Agência Lusa.

    A empresa está a conseguir vender botões para a China, Índia e Bangladesh, onde a mão-de-obra é muito mais barata, porque "as marcas norte-americanas de vestuário dão instruções aos fabricantes asiáticos para porem botões ecológicos da Louropel", salientou Avelino Rego.

    O empresário referiu que entre os mais procurados estão os botões que, na sua composição, têm "50 a 70 por cento de papel reciclado", misturado com outras matérias-primas, como a resina de poliéster.

    Os materiais biodegradáveis são triturados e transformados em farinha, sendo depois misturados com outras matérias-primas em amassadeiras da indústria da panificação, formando uma pasta que é prensada, cortada em rodelas, furada e cozida até à formação dos botões.

    A empresa aproveita todas as sobras do corte em rodelas, quer no processo tradicional quer no ecológico, para fazer botões reciclados, também por trituração até ficar em farinha.

    "A Louropel sempre investiu em tecnologia e sempre esteve na vanguarda. Quando o meu pai criou a empresa, em 1966, foi pioneiro no automatismo. Ele trabalhou na Fábrica de Botões Santo António, e por isso tinha a escola tradicional", afirmou Avelino Rego.

    "Nos anos 1960, apareceu um processo inovador, de resina de poliéster líquido por centrifugação, que era automático e muito mais rápido. O meu pai começou a empresa já com este processo", acrescentou.

    Beneficiando da localização estratégica do Louro, no centro dos vales do Ave e Cavado, a Louropel acompanhou o ritmo de crescimento da economia da região, muito baseado nas indústrias têxtil e do vestuário, ultrapassando as outras fabricantes de botões, como a Manuel Sousa Lopes, Luís Carvalho & Filhos e Bofitel, todas no concelho de Famalicão.

    A Louropel detém actualmente cerca de 75 por cento do mercado nacional de botões, que, contudo, já só representa 15 por cento da facturação da empresa, depois da aposta na internacionalização em meados dos anos 1990.

    "Tivemos de ter a coragem de fazer novos investimentos, na pior altura", frisou Avelino Rego, notando que a concorrência não fez o mesmo, pelo que sofreu grandes quebras com a transferência para a Ásia e Norte de África de inúmeras fábricas têxteis do Vale do Ave.

    Nas três fábricas no Louro, todas situadas próximo da casa do fundador da empresa, Carlos Rego, a Louropel utiliza três processos distintos de fabrico de botões, desde os tradicionais tubos metálicos e películas à mais moderna produção a lazer e por moldes.

    Uma máquina a laser grava nos botões, um a um, qualquer textura que seja programada no computador que a acompanha, enquanto os moldes são utilizados, sobretudo, para botões metálicos e botões maleáveis, estes destinados ao vestuário de criança.

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