Num comunicado enviado à agência Lusa, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Santa Cruz das Flores “manifesta o seu mais profundo desagrado e repúdio” pela posição da ANA - Aeroportos, que gere aquela infraestrutura aeroportuária.
“Esta associação considera que estas declarações não correspondem à realidade do serviço prestado no aeroporto da ilha das Flores e rejeita veemente qualquer tentativa de colocar em causa o profissionalismo, o sentido de responsabilidade e o compromisso que sempre pautaram a sua atuação ao longo de 20 anos”, lê-se no documento.
Na sexta-feira, em declarações à agência Lusa, a ANA recordou que a prestação dos serviços nos aeroportos dos Açores estava contratualizada com associações de bombeiros, mas, “durante os últimos anos, têm-se registado situações de incumprimento contratual repetido por parte destas associações nos aeroportos da Horta e das Flores”.
A partir de março de 2027, os serviços de socorro nos aeroportos de Santa Maria, Ponta Delgada, Faial e Flores, sob gestão da ANA – VINCI, vão deixar de ser assegurados pelas associações humanitárias de bombeiros voluntários, passando a ser prestados por um privado.
Em reação, a Associação Humanitária dos Bombeiros de Santa Cruz das Flores “desafia publicamente” a ANA a “identificar, de forma concreta e inequívoca, em que dias e a que horas”, o serviço prestado “não disponibilizou os recursos humanos contratualmente previstos”.
“Estas afirmações mais não são do que uma tentativa de justificar publicamente a decisão da ANA - Aeroportos de Portugal de transferir para uma empresa privada a prestação do serviço de socorro no aeroporto da ilha das Flores, procurando fazer recair sobre esta associação responsabilidades que não reconhece como suas”, reitera.
A Associação Humanitária alerta que “não basta fazer afirmações genéricas e graves”, considerando que a ANA tem o “dever de esclarecer publicamente” aquela posição.
“Caso a ANA - Aeroportos de Portugal não apresente factos concretos que sustentem essas afirmações, ficará seriamente comprometida a credibilidade da sua posição, levantando-se legítimas dúvidas quanto à boa-fé com que está a conduzir este processo”.
Os bombeiros salientam que a população “conhece o trabalho desenvolvido” ao longo de 20 anos no aeroporto das Flores e alertam que “não é aceitável que todo este percurso seja posto em causa”.
“É particularmente lamentável que faltando pouco mais de quatro meses para o termo do protocolo, previsto para 28 de fevereiro de 2027, a ANA - Aeroportos opte por proferir declarações desta natureza, colocando publicamente em causa o bom nome e reputação da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Santa Cruz”, concluem.
Os 60 bombeiros que prestam serviços de socorro nos aeroportos sob gestão da ANA – Vinci nos Açores podem transitar para o novo prestador do serviço, assegurou à Lusa fonte da empresa na sexta-feira.
