Bancos vão ter um ano muito difícil em 2010

 Bancos vão ter um ano muito difícil em 2010

 

Lusa/AO Online   Economia   4 de Nov de 2009, 14:31

O director do The Boston Consulting Group (BCG) em Portugal, Luís Gravito, prevê que 2010 vai ser muito difícil para bancos portugueses.

"Estamos a meio, senão no início, da grave crise e o próximo impacto [sobre a banca] está relacionado com o aumento dos níveis de incumprimento", salientou. "Suspeito que os bancos portugueses tenham um ano muito difícil em 2010. O incumprimento é a nova onda de choque sobre o sistema financeiro e, possivelmente, o cheque da economia real será mais grave em Portugal do que noutros países", afirmou hoje, em entrevista à agência Lusa, Luís Gravito.

De acordo com Ignazio di Torrepadula, responsável do BCG especializado no sector bancário, que se baseia nos dados relativos a crises anteriores, "a cada ano de recessão correspondem três ou quatro anos de perdas na banca".

"Os bancos portugueses foram poupados do primeiro impacto da crise financeira, relacionado com os instrumentos exóticos [activos tóxicos], que praticamente não tinham no balanço, apesar de terem sofrido com a crise de liquidez no mercado de financiamento interbancário", disse o responsável da unidade portuguesa do BCG.

A dívida externa portuguesa, a evolução da economia real, os problemas do mercado financeiro que tornam o dinheiro mais caro, a redução das margens e o impacto do crédito malparado levam Luís Gravito a antecipar que "os bancos portugueses vão sofrer", ainda que defenda que Portugal não é dos países onde o sector está em pior forma".

"Os prejuízos nos balanços dos bancos vão estar relacionados, sobretudo, com o aumento do incumprimento no crédito concedido às PME, que vão ser as mais afectadas pela crise económica. Vão também ser necessárias mais provisões, o que aumentará as perdas durante 2010 e 2011", reforçou à Lusa Ignazio di Torrepadula.

Por seu turno, Duncan Martin, 'partner' britânico do BCG, afirmou estar "atónito com as decisões" recentes das autoridades do Reino Unido, que anunciaram na terça-feira a injecção de 35 mil milhões de libras (39 mil milhões de euros) para resgates da banca, a maior fatia da verba destinada ao Royal Bank of Scotland.

"As autoridades não estão a brincar. Estão a intervir 'à séria' como não se via há muitos anos e de uma forma assertiva", frisou Duncan Martin, prevendo que os bancos sejam mais pequenos e mais direccionados, logo, com menos risco de contagiarem o sector caso passem por dificuldades.

Duncan Martin recordou que, como em qualquer crise, "onde há um perdedor, há um vencedor" e dão como exemplo o crescimento dos bancos chineses: "Actualmente, três dos quatro maiores bancos do mundo são chineses".

"A crise mostrou que 'grande' não é necessariamente 'bom'. Nalguns países os bancos mais pequenos deram-se bem com a crise", lembrou Ignazio di Torrepadula, adiantando ainda que "por outro lado, há um número de 'players' tão fortes na banca comercial que têm capacidade de replicar o seu modelo de sucesso noutros mercados, como o Santander, o BNP Paribas e a Unicrédito.


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