Balsemão defende aposta na "alta definição"


 

Lusa/AO   Economia   14 de Nov de 2007, 05:24

O presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, defendeu terça-feira à noite a aposta na "alta definição", considerando que esta será uma matéria em que a "coragem política" do primeiro-ministro será "posta à prova".
"Tenho criticado o Governo sobre a legislação asfixiante para o sector mas também a coragem política do primeiro-ministro. E esta será uma matéria em que a coragem política do primeiro-ministro será posta à prova", afirmou Pinto Balsemão, durante um jantar-conferência organizado pela APDC - Associação Portuguesa para o Desenvolvimentos das Comunicações.

    Sublinhando que a Televisão Digital Terrestre (TDT) "só será verdadeiramente útil para que se verifique um verdadeiro salto qualificativo", o presidente do grupo Impresa considerou, contudo, que a alta definição será "a alteração que marcará a diferença".

    Numa primeira fase, defendeu Pinto Balsemão, poderá existir apenas um canal para os três operadores existentes actualmente - RTP, SIC e TVI - "para atrair" os telespectadores.

    Só depois, acrescentou, se deverá passar para a fase seguinte, ou seja, cada operador ter o seu próprio canal.

    Na defesa pela alta definição, o presidente da Impresa lembrou os "grandes" investimentos já realizados pela SIC em carros de exteriores e 'régies' de produção, sublinhando que é necessário "não desperdiçar os investimentos já feitos".

    Questionado sobre os custos da produção em alta definição, o presidente da Impresa, que detém o canal de televisão SIC, assegurou que "serão suportáveis", embora superiores numa primeira fase.

    "Mas, a alta definição é o futuro", salientou.

    A TDT foi também um tema em destaque na intervenção do presidente da Impresa, que remeteu uma decisão sobre se vai ou não concorrer a este novo sistema "quando souber os termos do concurso"

    O Governo irá lançar dois concursos diferentes de TDT, um para a gestão da plataforma, onde vão estar os canais em sinal aberto, e outro para os canais por assinatura.

    O primeiro concurso, para a plataforma onde ficarão a RTP, a SIC e a TVI, será dirigido pela Anacom por ser um concurso de telecomunicações, uma vez que estas televisões já têm licença.

    Para a transmissão de canais de televisão em sinal aberto, está destinado um multiplexer, que é um conjunto de frequências que comporta um conjunto de canais que pode, com a tecnologia actual, chegar a 10.

    O segundo concurso prevê a atribuição simultânea de uma licença para a gestão da plataforma de difusão e outra para a gestão do conjunto dos canais por assinatura.

    Neste segundo concurso serão atribuídas duas licenças: uma de telecomunicações, para gerir a plataforma, e outra de distribuição, que permitirá ao gestor da parte paga da TDT seleccionar e agregar conteúdos.

    As duas licenças serão atribuídas simultaneamente ao vencedor do concurso, para garantir a operacionalidade da gestão do projecto.

    Para o segundo concurso, estão disponíveis 2 multiplexers de âmbito nacional e 3 de cobertura parcial, ou seja, de expansão regional.

    No jantar-conferência organizado pela APDC, Francisco pinto Balsemão voltou também a alertar para as consequências de aumentar a oferta de canais em sinal aberto.

    Entre as consequência de passar a existir mais um canal em sinal aberto, o presidente da Impresa apontou a redução dos preços praticados no mercado publicitário, a "descida da qualidade do jornalismo e do entretenimento", um maior recurso a "enlatados", a perda de competitividade internacional e o aumento do desemprego na indústria audiovisual.

    "É preciso pensar bem nas consequências do aumento da oferta", referiu.
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