Autarca da Ribeira Grande condena investida contra viaturas da PSP em Rabo de Peixe

O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, condenou a atitude de populares da vila de Rabo de Peixe que na quinta-feira danificaram quatro viaturas da PSP durante uma ação policial



“Esperamos que essa situação não torne a acontecer, porque foi um episódio muito triste para a vila de Rabo de Peixe”, disse Jaime Vieira à agência Lusa, considerando o caso “grave” e “condenável”.

Quatro viaturas com elementos da PSP dos Açores foram danificadas na quinta-feira por populares em Rabo de Peixe, naquele concelho da ilha de São Miguel, situação que levou os agentes a efetuar disparos para o ar.

O presidente do município da Ribeira Grande e ex-presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe - para quem deve haver “mais ações” na vila piscatória para “diminuir drasticamente” o tráfico de estupefacientes que “anda a destruir famílias e pessoas” - admitiu ter sido “um dia triste” e desejou que nunca mais se repita.

“É sempre condenável qualquer atividade ilícita na nossa terra. E o facto de se tratar de tráfico de estupefacientes é ainda mais condenável”, disse.

Jaime Vieira salientou a ação dos agentes “não só pelo profissionalismo no combate ao flagelo” em causa, “mas também pela serenidade e, acima de tudo, pela calma demonstrada numa situação em que tiveram que lidar com o inesperado”.

“Temos que elogiar o trabalho da PSP por essas duas componentes e acredito que, cada vez mais, esta tem de ser uma ação diária e firme rumo a um inimigo […] chamado dependências”, acrescentou.

O autarca da Ribeira Grande defende uma continuidade do “atuar firme” das autoridades policiais, com vista à diminuição do tráfico de droga no território.

“Estamos ao lado da PSP, estamos ao lado das autoridades, rumo àquilo que nós pretendemos que é um combate firme e incisivo àqueles que andam a estragar, àqueles que andam a ‘matar’ famílias e pessoas não só nesta vila, mas também em todo o concelho e logicamente que é [um problema] transversal a todo o país”, insistiu.

O Comando Regional da PSP dos Açores referiu, em comunicado, que a ocorrência se verificou no final da manhã de quinta-feira, após a realização de uma operação policial que culminou com a detenção, em flagrante delito, de oito suspeitos do crime de tráfico de estupefacientes.

Após a operação, quando o contingente da força de segurança se encontrava a abandonar o local, "as viaturas policiais foram danificadas através do arremesso de diversas pedras e barrotes de madeira", adiantou.

Os arremessos provocaram alguns danos em quatro viaturas policiais e a Divisão Policial de Ponta Delgada está a desenvolver diligências para identificação dos autores, indicando que "foram já devidamente identificados dois suspeitos".

A PSP esclareceu ainda que, "devido à grande afluência de pessoas no local, e de forma a terminar com os arremessos dos objetos contra as viaturas policiais, foram efetuados seis disparos de advertência para o ar".

Segundo o Comando Regional, o arremesso dos objetos "não provocou qualquer lesão" nos agentes envolvidos nesta operação de "grande envergadura", nem em "qualquer outra pessoa presente no local".

O autarca da Ribeira Grande referiu hoje que o episódio foi perpetrado por “uma pequena minoria” de residentes e não pode condicionar a imagem da vila de Rabo de Peixe, afirmando que “grande parte da população não se revê” no que aconteceu.

Rabo de Peixe, sublinhou, “é tão grande e tão rico, que não pode ser reconhecido apenas por um episódio condenável, triste e que em nada abona àquilo que é a imagem” da vila. “E, repito, estaremos sempre ao lado daqueles que combatem o crime, que combatem as dependências, para que se tenha uma sociedade melhor”, concluiu Jaime Vieira, indicando que está a acompanhar de perto a situação.

A PSP deu na quinta-feira cumprimento, pelas 12h30, a vários mandados de busca, no porto de pescas de Rabo de Peixe. Os oito suspeitos foram detidos em flagrante delito.

A PSP apreendeu 962 doses de haxixe e 1.110 doses de cocaína e ainda dinheiro em numerário, numa quantia não especificada, alegadamente relacionado com o crime em investigação.

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