Entrou, pediu água e, num momento de distração do funcionário de uma loja de telecomunicações na Lagoa, lançou mão de um mealheiro de donativos para um jovem que sofre de uma doença rara.
O caso ocorreu na Lagoa, na loja HBPhones, de Hugo Barroso, empresário que tornou público o sucedido na tarde da passada terça-feira nas redes sociais da empresa.
Contactado pelo Açoriano Oriental, o empresário do ramo das telecomunicações não esconde a sua indignação pelo furto, principalmente por o alvo ter sido o dinheiro que estava a ser angariado para uma causa solidária.
“Nós só nos apercebemos no dia seguinte, quando o pai do jovem veio à loja para levantar o mealheiro e não o viu. Fomos ver as imagens na câmara de videovigilância e vimos o que aconteceu”.
O ladrão é um homem “conhecido” na zona por incomodar pessoas idosas por dinheiro e pequenos furtos do género. Hugo Barroso já o conhecia, pois “há uns anos, encontrou o cartão multibanco do meu irmão e andou a fazer compras, aproveitando-se de poder utilizar o sistema contactless em compras até 50 euros”.
O empresário explica ao Açoriano Oriental que fez a publicação para servir de alerta aos comerciantes da Lagoa e zonas circundantes para que estejam atentos ao modus operandi do sujeito em questão. “É esse o meu objetivo, que as pessoas fiquem atentas”.
A família do larápio já entrou em contacto
com Hugo Barroso, que disseram que o empresário fizesse o que quisesse
“pois não podiam mais cobrir os furtos que tem feito. Até incentivou-me a
fazer queixa na polícia, pois assim pode ser que o familiar fosse
internado”.
Queixa na polícia? “Para quê?”
Questionado se vai avançar com uma queixa na Polícia de Segurança Pública, Hugo Barroso é perentório: “Não, para quê? Só se for para perder tempo”.
A resposta tem uma explicação: no ano passado, a HBPhones foi alvo de um furto a meio da noite. Apesar da rápida atuação do empresário e da PSP, que permitiu apanhar o suspeito ainda com o dinheiro, e deste ter admitido à polícia que as notas que tinha em sua posse tinham sido furtadas da loja de telemóveis, Hugo Barroso ficou “a arder”.
“Fui
chamado à polícia, ao Ministério Público, eu e os meus funcionários
tiveram de tirar as impressões digitais. Para no final, o tribunal dizer
que eu não tinha como provar que aquele dinheiro era o dinheiro que eu
tinha na caixa. Perdi tempo e não recuperei os valores”.
