Jovem com problemas de saúde mental agride funcionária com faca

Duas gémeas menores, com problemas de saúde mental e comportamentos violentos, estão acolhidas há cerca de três anos no Centro de Bem Estar Jacinto Cabido e aguardam transferência para outra instituição. Uma das jovens agrediu, há dias, uma funcionária com uma faca



Uma menor com problemas de saúde mental, acolhida no Lar Internato Feminino do Centro Bem Estar Jacinto Ferreira Cabido, na Ribeira Grande, agrediu, na semana passada, duas funcionárias, uma delas  com uma faca, provocando ferimentos  em várias zonas do corpo.

Segundo a queixa que chegou ao Açoriano Oriental, duas jovens gémeas, ambas com deficiência, apresentam frequentemente comportamentos violentos, causando perturbação na instituição e na vizinhança. Mas, na semana passada, a situação chegou ao extremo de as agressões terem causado ferimentos a duas funcionárias, uma delas quando tentou impedir a jovem de continuar as agressões com uma faca.

Perante a denúncia, o Açoriano Oriental contactou o presidente da direção da instituição que, só após muita insistência, remeteu explicações, para a vogal da direção.
Ontem, em declarações ao Açoriano Oriental, Bernardete Couto, em representação do Centro Bem Estar Jacinto Cabido, explicou que a situação ocorreu após a jovem ter reagido mal, quando  durante uma refeição foi contrariada e atacou uma funcionária com uma faca - que não é uma faca “afiada” com características mais perigosas, ressalvou.
Bernardete disse ainda que a funcionária esteve de baixa e está agora no gozo de férias. 

Segundo referiu, neste lar, estão duas jovens gémeas que têm comportamentos violentos; duas gémeas mais velhas que estão na instituição  há anos e têm necessidades complexas; e uma jovem que não apresenta qualquer problema semelhante.

As duas jovens gémeas estão acolhidas no Centro de Bem Estar Jacinto Cabido há cerca de três anos, e, segundo a responsável,  “sempre” tiveram comportamentos  considerados complicados, “mas agora a situação está a agravar-se”, referiu ao Açoriano Oriental, acrescentando que “a idade avança, elas ficam mais fortes e a estrutural corporal é outra”. Salientou, contudo, que os episódios anteriores tinham sido ocorrências mais ligeiras e que nunca tinham ocorrido agressões com facas.

Questionada sobre a continuidade das duas jovens gémeas na instituição, Bernardete Couto afirmou que, desde julho, a instituição tem recebido a informação de que as duas jovens deverão ser colocadas noutra instituição. Contudo, não existe ainda uma data concreta para a sua transferência.

“Não sabemos se é amanhã ou em dezembro. Não sabemos de nada”, afirmou a entrevistada. “Segundo consta, não há instituições para aquela situação cá nos Açores”, prosseguiu.

Relativamente às restantes jovens, Bernardete realçou que continuam na mesma instituição que as duas gémeas, acrescentando que não há possibilidade de separação. 

A entrevistada adiantou, por outro lado, que também as duas gémeas mais velhas com necessidades complexas aguardam transferência para outra instituição, enquanto a outra jovem fica assustada quando estes episódios acontecem.

Bernardete afirmou que há queixas dos vizinhos devido aos comportamentos das duas jovens, que costumam gritar frequentemente e vão para as janelas, causando transtorno na vizinhança.

Caso já foi remetido ao Ministério Publico

Contactado pelo Açoriano Oriental, o Instituto de Segurança Social dos Açores (ISSA) referiu que acompanha a situação em causa no âmbito das suas competências e em articulação com as entidades competentes.

“Sempre que ocorreram incidentes relevantes, os mesmos foram reportados ao Tribunal pelos técnicos da EMAT do ISSA, nos termos legalmente aplicáveis e no respeito pelo superior interesse das jovens”, explica o ISSA.

Sobre o episódio mais recente, o ISSA adiantou que a situação foi igualmente comunicada ao Tribunal, aguardando-se, neste momento, o respetivo parecer/decisão relativamente às medidas a adotar.

Queixa apresentada esta semana

A Polícia de Segurança Pública (PSP) não tinha recebido na sexta-feira passada qualquer queixa, segundo a informação dada então ao Açoriano Oriental. De acordo com a informação disponibilizada ontem por Eurico Machado, porta-voz da PSP nos Açores, foi só, nesta semana, que a queixa foi formalizada.

A PSP adianta que, antes deste episódio, haviam ocorrências de casos pontuais sem esta gravidade, acrescentando que já elaborou a respetiva participação criminal. “O expediente foi comunicado de imediato ao Ministério Público, no qual o processo seguirá os trâmites legais”, explica-se. 

O caso está, neste momento, a ser investigado.

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