Açoriano Oriental
Atletismo, Futsal, Exército, PSP, Futebol e Futebol de Praia. O percurso improvável de Joana Flores

Chama-se Joana Flores, é natural da ilha Terceira e é uma das capitãs da seleção Nacional de Futebol de Praia. Atleta campeã e agente da PSP. Uma dicotomia que é tão difícil de gerir quanto deliciosa.



Autor: Tatiana Ourique / Açoriano Oriental

Joana Flores conclui o 12° ano nos Açores e esteve cerca de 1 ano e 3 meses no exército, na ilha Terceira. Depois ingressou na PSP, tirou o curso de 9 meses e tornou-se agente da PSP. A par deste percurso profissional, é da grande desportista Joana que os Terceirenses recordam.

“Fiz atletismo durante vários anos, sendo campeã em várias modalidades e vários escalões, quer a nível regional, como nacional. No futsal estive só no Posto Santo até vir para Lisboa trabalhar, em 2011, em seguida tive no futebol de 11, desde 2012 até janeiro de 2022, em 2018 representei o SCP numa competição de futebol de praia, no entanto só em 2021 é que, para mim, o futebol de praia começou a ser o meu desporto de eleição, tendo ganho o título de campeã nacional na época transata e ingressar na seleção nacional”, admite a jovem terceirense.

Joana Flores integrou a primeira seleção nacional de Futebol de Praia: “no ano passado deram início à seleção nacional feminina de futebol de praia, tendo sido convocada para a primeira competição. Classificamo-nos em 5° lugar. Este ano obtivemos o 3° lugar na mesma competição (Europeu)”, disse ao Açoriano Oriental a atleta que atua no ACD SÓTÃO da Nazaré.

Joana Flores faz um balanço muito positivo da experiência: “foi muito enriquecedora, jogar contra as melhores equipas de futebol de praia da Europa e do mundo só nos engrandece enquanto seleção e individualidade.”

Da Terceira para a seleção nacional. E qual é o segredo? “A chave para o sucesso é, sem dúvida, a persistência, a dedicação e o treino/competição”, admite.

Questionada sobre se os clubes açorianos têm ferramentas suficientes para potenciar talentos, Joana lamenta ter de responder negativamente. “Infelizmente, penso que ainda não há competitividade suficiente para se evoluir e dar um salto. Sabemos que o facto de sermos insulares torna-nos menos visíveis”, acrescentou.

Sobre conciliar a vida de agente da PSP e a de atleta de alta competição: “Nem sempre é fácil, mas com a ajuda incansável dos meus colegas de trabalho, manter as duas atividades tem se tornado, mais comportável. É duro fazer turnos e depois ter que jogar, mas quando se quer alcançar o lugar mais alto se cada competição, a mente tem de vencer o cansaço. O objetivo é nunca desistir e persistir”, diz Joana.

“Neste momento estou no Comando de Setúbal, mais propriamente na Esquadra da Baixa da Banheira, onde tem um bairro social com uma atividade populacional, muito específica e complexa. Infelizmente não me é possível realizar esse sonho, a atividade desportiva no futebol de praia feminino não tem sustentação monetária para fazer do desporto a minha vida, mas adoraria”, admite a jovem terceirense.

Joana Flores terminou a entrevista dando um conselho às atletas mais novas: “Lutar, acreditar e sonhar muito... No entanto os sonhos só se tornam realidade se houver muito trabalho e dedicação”.

A seleção feminina de Futebol de Praia conquistou a 11 de setembro o 3º lugar europeu depois de bater a Ucrânia por 3-0 em Cagliari, na Itália.


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